Um acidente grave, uma morte e nenhuma explicação ou punição

A jovem Eduarda de Jesus Ribeiro, 25 anos, saiu de casa há uma semana e nunca mais voltou.

A jovem Eduarda de Jesus Ribeiro, 25 anos, saiu de casa há uma semana e nunca mais voltou. Essa, infelizmente, é uma história comum em muitos lares, mas na situação da capixaba, que morreu na madrugada de 18 de fevereiro, a família está sem respostas.

De acordo com a mãe de Eduarda, Monalessa Cristina de Jesus, a dor pela perda é imensa, mas a busca por respostas, tanto sobre a dinâmica do acidente quanto sobre os cuidados médicos que a filha recebeu, está longe de ser superada.

Eduarda, que deixa um filho de 4 anos e uma filha de apenas 6 meses, estava com uma amiga em um pagode em Vila Velha, quando, segundo o relato de outro amigo, decidiu sair com dois rapazes conhecidos e uma amiga para pegar uma carona até sua casa. Durante o trajeto, o motorista, que não tinha habilitação, acelerou para “brincar de racha”, e capotou com o carro.

As imagens mostram exatamente o momento do acidente, em que um dos passageiros foi arremessado para fora do carro e quando Eduarda e sua amiga saem desnorteadas do veículo.

Onde estão?

Após o capotamento, os passageiros foram socorridos, e ao passarem por hospital o acidente foi “ignorado”. “Eles estão sumidos, não sei onde vivem. Se correram e não ficaram um motivo tem. Mas o Samu chegou e socorreu. Minha filha foi levada, mas não entendo por que demoraram tanto a socorrer”, disse a mãe abalada.

Antes de morrer Eduarda fez uma revelação: o que está no boletim de ocorrência não é o que verdadeiramente aconteceu. No registro, a amiga de Eduarda que também se acidentou se apresentou como condutora do veículo. “Assumiu que estava conduzindo o veículo e não soube dizer direito o que aconteceu, tendo em vista que estava com muita dor de cabeça, escoriações nos membros inferiores, face e boca e a perda de alguns dentes”, detalha a ocorrência.

Em imagens do acidente é possível ver o momento em que o motorista do veículo é projetado para o lado de fora do carro pelo para-brisas. Em seguida, Eduarda desce do automóvel pressionando a barriga e se senta na calçada, onde ficou até a chegada do Samu.

A PMES disse que foi acionada para uma ocorrência de trânsito no bairro Praia de Itaparica, em Vila Velha em 18 de fevereiro e que no local foi constatado que um carro se chocou contra um objeto fixo às margens do meio-fio. Uma equipe do Samu prestou os primeiros socorros às duas ocupantes do veículo.

“A mulher de 29 anos se apresentou como sendo a condutora do automóvel e se recusou a prosseguir ao hospital com a ambulância. Ela afirmou que não sabia dizer ao certo o que aconteceu por causa dos ferimentos. Em seguida, os policiais foram ao HEUE, onde a passageira, de 25 anos, havia dado entrada. A vítima aguardava para realizar os procedimentos médicos e disse, com dificuldade, que a condutora do carro não era a mulher de 29 anos, mas sim uma outra pessoa que ela não conseguiu informar”, destacou em nota a PMES.

O veículo estava com licenciamento atrasado e foi removido ao pátio. A mulher que se apresentou como motorista não tinha habilitação, não era proprietária do veículo e se recusou a realizar o teste do etilômetro, sendo confeccionado os Autos de Infração de Trânsito (AIT).

Atendimento falho

Monalessa destacou que Eduarda foi levada ao hospital em estado grave, mas, ao que tudo indica, o atendimento inicial foi inadequado. “Ela estava com muita dor no peito e no abdômen o tempo todo. Chegou ao hospital no dia 18 e depois foi transferida, mas o que aconteceu antes? Isso ainda me atormenta”.

A mãe de Eduarda também fez questão de levantar questões sobre a demora no atendimento e a falta de acolhimento adequado. “No hospital, ninguém sabia informar o que tinha acontecido. Eu fui até o São Lucas e ninguém me acolheu. Só falavam que tinham que verificar quem atendeu, ninguém sabia de nada. Ela ficou andando pelo hospital com a bolsinha de soro, enquanto estava em condições muito graves. Por que ninguém fez nada? Por que ela teve que esperar 24 horas para ser transferida? Isso me faz questionar tudo”, desabafou.

Além das questões envolvendo a assistência médica, a mãe de Eduarda também se mostra frustrada com a atitude dos dois rapazes que estavam no carro com sua filha. “Eles fugiram do local, e isso é uma irresponsabilidade. Não sei se eles são criminosos, mas eles fugiram e não têm coragem de assumir o que fizeram. Eles precisam ser responsabilizados. Não sei quem são, mas a justiça vai descobrir”, disse a mãe, visivelmente angustiada pela falta de informações.

O caso segue sendo investigado pela polícia, mas os relatos contraditórios e a falta de esclarecimentos sobre os detalhes do acidente continuam sendo um peso para a família. A mãe de Eduarda também lamenta a falta de apoio de outras partes envolvidas, inclusive os hospitais. “Eu estava esperando que me procurassem, que me dissessem o que aconteceu, mas não fui procurada. Tudo está muito confuso e o tempo está passando. Não posso culpar só os meninos, mas eles têm uma responsabilidade. E eu preciso de respostas sobre o atendimento que minha filha recebeu. Isso me dói muito”, desabafou.

A amiga que estava com Eduarda no momento do acidente também está internada, mas já recebeu alta e está se recuperando, incluindo a tentativa de reconstrução de seus dentes, que foram danificados no acidente. Outro amigo que não teve a identidade revelada pela mãe confirmou que, apesar de estar em estado grave, Eduarda ainda estava lúcida e postou nas redes sociais momentos antes do acidente.

A mãe de Eduarda se mantém firme na busca por justiça. “Eu não sei o que aconteceu, não sei o motivo real. Não sei quem são esses meninos, nem o que eles estavam pensando, mas sei que minha filha não merecia isso. E eu não vou descansar até que a justiça seja feita, tanto para os meninos que fugiram quanto para os médicos que demoraram tanto para atender minha filha.”

O caso de Eduarda continua sendo um mistério, e a mãe aguarda ansiosamente por respostas, enquanto a dor da perda e a luta por justiça continuam a tomar conta de sua vida. “Não consigo entender muita coisa, mas vou fazer tudo o que for possível para que minha filha não tenha morrido em vão. A justiça vai ser feita, eu creio nisso”, concluiu.

FONTE: Jady Oliveira – ESHOJE