Talibã permite que maridos agridam suas mulheres, desde que não quebrem os seus ossos

Mesmo nos casos em que se possa comprovar lesão grave, a pena máxima é de 15 dias de prisão.

- Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O regime do Talibã no Afeganistão aprovou uma nova norma que amplia o controle sobre a vida das mulheres e autoriza punições físicas impostas por maridos, desde que não provoquem fraturas. A decisão gerou forte repercussão internacional e reacendeu críticas às violações de direitos humanos no país.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a regra integra um conjunto de medidas que reforçam a interpretação rígida da lei islâmica adotada pelo grupo desde que retomou o poder, em 2021. Além disso, a legislação amplia limitações já impostas às mulheres, como restrições ao trabalho, à educação e à circulação em espaços públicos.

Organizações de direitos humanos condenaram a medida e classificaram a decisão como mais um retrocesso grave. Para especialistas, a nova norma institucionaliza a violência doméstica e enfraquece ainda mais a proteção às mulheres afegãs.

Ao mesmo tempo, líderes internacionais pressionam o regime por mudanças. Países e entidades multilaterais voltaram a cobrar garantias mínimas de direitos civis e igualdade de gênero.

Desde que reassumiu o controle do Afeganistão, o Talibã implementou regras que afastaram mulheres da maioria dos empregos públicos, proibiram a frequência feminina em universidades e restringiram a atuação de organizações não governamentais que empregam mulheres.

Agora, com a nova lei, cresce o temor de que a violência doméstica se torne ainda mais difícil de denunciar. Analistas apontam que, diante do cenário atual, vítimas enfrentam barreiras legais e culturais para buscar proteção.

O tema segue sob atenção da comunidade internacional e reforça o debate sobre direitos humanos e igualdade de gênero em regimes autoritários.