Suspensão de operações deixa 78 denúncias de trabalho escravo sem fiscalização

Auditores alertam que cancelamento de fiscalizações prejudica combate a exploração de trabalhadores e pode aumentar irregularidades.

Auditores relatam que o governo cancelou operações contra o trabalho análogo à escravidão em janeiro, deixando pelo menos 78 denúncias sem fiscalização. Além disso, o caso coincide com o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, nesta quarta-feira (28).

Segundo os auditores, a suspensão decorre de insatisfação com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que revisou pessoalmente processos de inclusão de empresas na lista suja do trabalho escravo. Eles afirmam que a medida cria insegurança jurídica e interfere na autonomia técnica da fiscalização.

Em dezembro, mais de 300 auditores decidiram suspender novas fiscalizações até receber garantias formais de proteção contra retaliações. Por outro lado, o Ministério do Trabalho afirmou que as unidades regionais continuam realizando operações normalmente. Apenas algumas ações do Grupo Especial Móvel de Fiscalização sofreram ajustes pontuais devido à falta de efetivo da Polícia Federal.

O Grupo Especial atua nacionalmente e já resgatou ao menos 66 mil trabalhadores em mais de 8 mil operações. Além disso, servidores de 17 estados e do Distrito Federal relataram cancelamentos ou adiamentos de ações, afetando denúncias de trabalho doméstico, agrícola e extrativista.

Auditores alertam que a paralisação aumenta a vulnerabilidade das vítimas e atrasa a responsabilização de infratores. De acordo com dados do ministério, em janeiro de 2025, 36 pessoas foram resgatadas em operações nacionais e regionais.

A crise se aprofundou em 2025, quando o ministro excluiu empresas da lista suja, incluindo a JBS Aves, mesmo após decisões que as responsabilizavam. Entretanto, a Justiça do Trabalho determinou a reinclusão das empresas, mas o MTE recorreu.

A Polícia Federal afirma que manteve a fiscalização regional e reprogramou apenas três operações por falta de efetivo policial simultâneo. Além disso, o órgão reforçou que seguirá atuando em conjunto com o MTE para combater o trabalho escravo.