SUS adota estratégia com antibiótico para prevenir sífilis e clamídia

Estratégia com doxiciclina poderá ajudar a reduzir casos de sífilis e clamídia em grupos mais vulneráveis

Arte Da Capa Da Mat Ria Do Site 1000 X 750 Px 2026 03 15t182746 827
Foto: quantic69/Gettyimages -

O Ministério da Saúde decidiu adotar no Sistema Único de Saúde (SUS) uma nova estratégia para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) de origem bacteriana. A medida prevê o uso do antibiótico doxiciclina após relações sexuais desprotegidas. Com isso, a pasta pretende reduzir o risco de infecção por clamídia e sífilis.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisou e aprovou a estratégia. Chamada de DoxiPEP, a abordagem orienta o uso do medicamento após uma possível exposição ao risco de infecção.

Estratégia para reduzir ISTs

Com a adoção da DoxiPEP, o Ministério da Saúde busca diminuir a incidência de novas ISTs no país. A iniciativa tem foco especial na sífilis adquirida, que ainda representa um desafio importante para a saúde pública no Brasil.

Na prática, o protocolo recomenda que a pessoa tome dois comprimidos de doxiciclina após a relação sexual sem proteção. Dessa forma, o tratamento tenta impedir que as bactérias responsáveis pelas infecções se instalem no organismo.

Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, o ministério tomou a decisão com base em evidências científicas que comprovam a eficácia e a segurança da estratégia.

Em comunicado, ela afirmou que a medida reforça o compromisso do governo brasileiro com a adoção de tecnologias que apresentam impacto comprovado na saúde pública. Além disso, destacou que a DoxiPEP pode ajudar a reduzir a incidência de infecções sexualmente transmissíveis no país.

Quem poderá receber o tratamento

Inicialmente, o Ministério da Saúde direcionará o tratamento para grupos considerados mais vulneráveis às ISTs. Entre eles estão homens cisgênero gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens. O público também inclui mulheres transgênero que tiveram pelo menos um episódio de infecção sexualmente transmissível nos últimos 12 meses.

O ministério definiu esse público prioritário com base em estudos científicos que indicam maior eficácia da estratégia nesses grupos.

Próximos passos para implementação

O Ministério da Saúde também pretende incentivar pesquisas no Brasil para avaliar o uso da DoxiPEP em outros públicos, como mulheres cisgênero e homens transgênero.

Antes da oferta ampla no SUS, o governo ainda precisa cumprir algumas etapas administrativas. Entre elas estão a definição do financiamento do medicamento e a pactuação da medida entre União, estados e municípios.