
Uma constatação chama atenção em qualquer análise séria do setor de segurança: ele cresce mesmo quando a economia patina. Enquanto outros segmentos cortam investimentos durante períodos de instabilidade, o mercado de segurança eletrônica segue na contramão. Os números de 2024 e 2025 confirmam esse movimento.
Crescimento do setor no Brasil
No Brasil, o setor faturou cerca de R$ 14 bilhões em 2024, representando um crescimento de 16,1% em relação ao ano anterior. Para 2026, a projeção ultrapassa os R$ 18 bilhões. Este crescimento constante tem explicações claras e concretas.
Primeiramente, a insegurança gera demanda. Quanto mais as pessoas se sentem vulneráveis, mais investem em proteção. Isso ocorre em residências, empresas e também no poder público. A crise econômica pode reduzir gastos com eletrodomésticos ou viagens, mas cortar investimentos em segurança tem um custo muito mais alto.
Tecnologia acessível e novos clientes
Outro fator relevante é a queda de preços da tecnologia. O que era caro e complexo há cinco anos, hoje cabe no orçamento de empresas médias. Câmeras com inteligência artificial, análise de vídeo em tempo real, reconhecimento facial e leitura de placas tiveram redução de preço, enquanto a qualidade aumentou. Isso abriu espaço para novos perfis de clientes.
Além disso, a inteligência artificial transformou o que uma câmera pode fazer. Agora, elas detectam comportamentos suspeitos antes de um incidente, reconhecem padrões complexos que um operador humano levaria horas para identificar e apoiam a tomada de decisão. No mercado global, o setor de câmeras com IA cresceu de US$ 11,3 bilhões em 2026 e deve atingir US$ 66 bilhões até 2035, com crescimento anual de quase 22%. No Brasil, o submercado de IA em segurança cresce 25% ao ano.
Empresas brasileiras e investimento em segurança
Outro dado relevante: 78% das empresas brasileiras planejaram aumentar investimentos em soluções de segurança em 2025. Esse movimento não é pontual, mas estrutural. Empresas que adotaram tecnologia mais avançada registram menos deslocamentos desnecessários, menos falsos alarmes e equipes menores cobrindo mais áreas.
Cenário global
No mercado global, as câmeras de segurança valeram US$ 18,3 bilhões em 2024 e devem dobrar até 2034, segundo o GM Insights. A América Latina cresce a 6,5% ao ano, e o Brasil lidera a adoção de IA e IoT na região.
Atratividade do setor
O crescimento também atrai investidores. Novos aportes identificam demanda constante, margens saudáveis e tecnologia em maturação. O diferencial competitivo não é apenas possuir câmeras, mas integrar hardware, software e operação de forma inteligente, transformando dados em inteligência operacional.
O futuro do setor não está apenas na venda de equipamentos. A principal tendência é entregar inteligência operacional. Quem compreender isso primeiro ocupará um espaço estratégico, mesmo em momentos de crise econômica.
Vinicius Romano é analista de sistemas, CEO da Camerite e especialista em tecnologia voltado para segurança eletrônica











