
Um sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) foi preso em flagrante pelo crime de deserção após faltar ao trabalho por mais de oito dias consecutivos sem apresentar justificativa. O militar, que atua há mais de 15 anos na corporação, relatou que enfrenta problemas graves de dependência química, depressão e crises familiares.
Prisão e soltura mediante tratamento
A detenção ocorreu no último dia 8 de maio por iniciativa da Corregedoria do órgão. No entanto, após passar quatro dias detido, a Justiça concedeu a liberdade provisória ao bombeiro na terça-feira (12). Como condição para a soltura, o Judiciário determinou que o militar se submeta imediatamente a tratamento médico e psicológico. Para preservar a integridade do servidor, a identidade dele não foi divulgada.
Histórico de recaída e depressão
Em depoimento, o sargento explicou que vinha enfrentando um quadro de recaída após já ter passado por tratamento anterior. Além disso, ele revelou que um exame toxicológico recente apontou o uso de substâncias químicas, o que acabou por retirá-lo do quadro de acesso para a promoção ao posto de segundo-sargento. Somado a isso, o afastamento familiar agravou seu estado emocional.
“Tem dois meses que eu não vejo minha filha. Aí, no caso, eu entrei num estado de depressão por causa disso”, relatou o militar.
O que diz a legislação militar
De acordo com as normas militares, a deserção fica configurada quando o integrante da corporação abandona o posto ou deixa de comparecer ao serviço por mais de oito dias seguidos sem justificativa legal.
A advogada Kelly Freire pontua que o rigor da lei se deve ao impacto direto na sociedade. Nesse sentido, por se tratar de um servidor de segurança pública que deve atuar em prontidão, a ausência sem aviso acarreta automaticamente um desfalque no atendimento à população.
Apoio institucional e dados de saúde
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que o sargento já recebia acompanhamento da Seção de Serviço Social da corporação e que continuará com assistência médica disponível enquanto responde ao processo administrativo disciplinar demissionário. Contudo, o órgão ressaltou que a adesão efetiva ao tratamento depende da decisão do próprio paciente.
Vale contextualizar que o problema da dependência atinge milhares de capixabas. Dados do governo estadual apontam que mais de 7 mil pessoas procuraram a Rede Abraço — programa voltado ao tratamento de dependentes químicos — entre janeiro de 2024 e abril de 2026. A psiquiatra Letícia Mameri alerta que a condição é grave pois rompe gradativamente os vínculos familiares, profissionais e comunitários do paciente.











