Casos de Sindrome do Olho Seco. Foto: Freepik
Sensação de areia nos olhos, ardência, vermelhidão e visão embaçada estão entre as principais queixas que levam pacientes aos consultórios oftalmológicos, sobretudo durante o verão. As altas temperaturas, o uso prolongado de telas, a exposição constante ao ar-condicionado e a baixa umidade do ar contribuem para o surgimento e o agravamento da síndrome do olho seco, condição cada vez mais comum nos grandes centros urbanos.
Um estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), publicado na revista científica Clinics, aponta que a síndrome do olho seco é significativamente mais frequente em áreas urbanas do que em regiões rurais. A pesquisa identificou prevalência de cerca de 40% nas cidades, enquanto no meio rural o índice ficou em torno de 20%. O problema também afeta mais as mulheres, atingindo mais de um terço desse público.
Segundo o oftalmologista Renato Vieira Gomes, do Hospital de Olhos de Vitória, o olho seco ocorre quando há falhas na produção da lágrima ou quando ela não apresenta qualidade suficiente para proteger a superfície ocular. “A lágrima não serve apenas para lubrificar os olhos. Ela é fundamental para a proteção da córnea e para a qualidade da visão. Quando esse sistema entra em desequilíbrio, o organismo passa a emitir sinais claros de que algo não vai bem”, explica.
No verão, os cuidados devem ser intensificados. O calor acelera a evaporação da lágrima, enquanto ambientes climatizados favorecem o ressecamento ocular. Além disso, o aumento do tempo em frente a celulares, computadores e televisões — comum durante as férias e no trabalho remoto — reduz a frequência do piscar e agrava os sintomas.
O especialista ressalta que a síndrome do olho seco é uma condição multifatorial, podendo estar associada ao envelhecimento, alterações hormonais, uso de determinados medicamentos, doenças autoimunes, cirurgias oculares e hábitos cotidianos. Pessoas que passam longos períodos diante de telas, mulheres na menopausa e moradores de grandes cidades estão entre os grupos mais afetados.
Apesar de frequente, o olho seco não deve ser encarado como um simples incômodo. Quando não tratado adequadamente, pode comprometer a saúde ocular e a qualidade de vida. Ardência persistente, sensibilidade à luz, sensação de corpo estranho e lacrimejamento excessivo são sinais de alerta. “A automedicação é um erro comum. Nem todo colírio é indicado para olho seco, e o uso inadequado pode mascarar o problema ou até piorar o quadro”, alerta o oftalmologista.
A prevenção passa por mudanças simples na rotina, como manter o corpo bem hidratado, fazer pausas regulares durante o uso de telas, evitar ambientes excessivamente secos e garantir uma boa qualidade de sono. Para o médico do Hospital de Olhos de Vitória, cuidar do olho seco faz parte de uma atenção mais ampla à saúde.
Em caso de sintomas persistentes, a recomendação é buscar avaliação especializada. O diagnóstico correto permite identificar o tipo de olho seco e indicar o tratamento mais adequado, assegurando mais conforto visual mesmo nos dias mais quentes do ano.
