Por Jackson Rangel
A falta de água em Itapemirim na noite da virada do Ano Novo não foi acidente nem surpresa. Foi consequência direta da obsolescência do SAAE, uma autarquia ultrapassada que há décadas falha em cumprir sua função básica. No auge do verão e no principal momento do calendário turístico, o sistema simplesmente colapsou.
Bairros centrais, orla, Itaipava e Boa Vista do Sul enfrentaram torneiras secas ou abastecimento intermitente. Em muitos pontos, não houve água alguma. Famílias ficaram sem higiene mínima. Crianças passaram a noite sem banho. Residências e comércios pararam.
O impacto no turismo foi imediato. Hotéis e pousadas receberam hóspedes pagando caro sem conseguir oferecer água. Restaurantes fecharam na virada. Comerciantes perderam o faturamento mais importante do ano. Turistas deixaram a cidade antes da meia-noite e transformaram a frustração em registros públicos nas redes sociais.
Nada disso é novidade. O SAAE opera com estrutura obsoleta, sem ampliação de captação, sem novos reservatórios e sem plano efetivo de contingência. O aumento da população no verão é previsível, mas o sistema continua incapaz de responder à demanda. O resultado é o mesmo todos os anos: colapso no abastecimento e prejuízo coletivo.
É preciso registrar: o prefeito atual não criou esse problema. Herdou um SAAE tecnicamente ultrapassado, administrativamente engessado e historicamente ineficiente. A crise não é pontual. É estrutural. Está enraizada no próprio modelo da autarquia, que sobrevive sem entregar o mínimo esperado.
As consequências vão além do prejuízo financeiro imediato. A imagem de Itapemirim se deteriora em tempo real. A confiança do visitante é quebrada. A saúde pública entra em risco. E a população continua pagando mensalmente por um serviço que falha justamente quando é mais exigido.
Não se trata de falha operacional. Trata-se de abandono estrutural. Enquanto o SAAE obsoleto continuar funcionando sem reforma profunda ou substituição de modelo, episódios como o da virada seguirão se repetindo.
Enquanto o Brasil comemorava, Itapemirim passava sede.
E o centro do problema é claro: um SAAE que parou no tempo.
