Autoridades alemãs classificam o caso como um dos assaltos mais “espetaculares” dos últimos anos. O grupo invadiu a agência do banco Sparkasse, em Gelsenkirchen, no oeste do país, no fim de semana após o Natal de 2025. Desde então, a polícia mantém as investigações; no entanto, até agora, não prendeu suspeitos.
Segundo os investigadores, os criminosos acessaram o prédio pela rua Nienhofstrasse, no bairro de Buer, possivelmente por meio de um estacionamento vizinho. Além disso, manipularam uma porta de saída que não deveria abrir pelo lado externo. Dessa forma, conseguiram entrar no banco sem despertar atenção imediata.
Ação planejada e execução rápida
Depois de entrar no prédio, o grupo burlou sistemas de segurança e avançou até uma sala próxima ao cofre, no subsolo. Em seguida, instalou uma furadeira industrial e abriu um buraco de cerca de 40 centímetros na parede que dava acesso à caixa-forte. Assim, os criminosos alcançaram os cofres sem utilizar explosivos.
De acordo com o ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, o sistema registrou a abertura do primeiro cofre às 10h45 do dia 27 de dezembro e do último às 14h44. Ainda assim, as autoridades analisam se os criminosos agiram apenas nesse intervalo ou se o sistema deixou de registrar parte da ação.
Ao todo, o grupo arrombou quase todos os 3.250 cofres e levou dinheiro, ouro e joias. A imprensa alemã estima prejuízo de até 100 milhões de euros (cerca de R$ 618 milhões). Entretanto, as autoridades ainda não confirmaram o valor exato.
Alarme ignorado e questionamentos
Pouco depois das 6h do dia 27 de dezembro, o sistema acionou um alarme de incêndio. O Corpo de Bombeiros e uma empresa de segurança privada compareceram ao local. Contudo, as equipes não identificaram fumaça, cheiro de queimado ou sinais aparentes de danos.
Segundo Reul, o alerta partiu da área da caixa-forte. Ainda assim, uma porta de aço bloqueava o acesso, o que impediu a entrada imediata. Como não havia indícios claros de incêndio, os agentes classificaram o episódio como falso alarme, situação considerada relativamente comum.
Para realizar uma vistoria mais profunda naquele momento, a polícia precisaria de mandado judicial. Portanto, as equipes deixaram o local. Somente dias depois, as autoridades perceberam que o crime já havia ocorrido.
Descoberta e impacto nas vítimas
Na madrugada de 29 de dezembro, um novo alarme disparou às 3h58. Desta vez, os bombeiros entraram na agência e encontraram a caixa-forte devastada. Segundo Reul, o cenário lembrava “um lixão”, com centenas de milhares de itens espalhados pelo chão.
Além disso, muitos objetos sofreram danos causados por água e produtos químicos. Desde então, investigadores analisam imagens de câmeras de segurança que mostram homens com os rostos cobertos e dois veículos com placas falsas: um Audi RS 6 preto e um Mercedes Citan branco.
A notícia provocou revolta entre clientes. Cerca de 200 pessoas se reuniram em frente à agência após a divulgação do caso. Muitos relataram a perda de economias acumuladas ao longo da vida e de joias de família.
O banco informou que cada cofre possui seguro padrão de até 10.300 euros. Ainda assim, alguns clientes alegam prejuízos muito superiores. Um deles declarou que guardava 400 mil euros provenientes da venda de um imóvel. Além disso, a ausência de registros detalhados dificulta a comprovação do conteúdo armazenado.
Repercussão política e crise de confiança
O caso rapidamente ultrapassou a esfera criminal e ganhou dimensão política. O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) realizou um comício em frente à agência, o que gerou críticas de adversários. Paralelamente, veículos de imprensa apontaram que o episódio simboliza uma crise mais ampla de confiança nas instituições.
Para Herbert Reul, o impacto vai além do prejuízo financeiro. Segundo ele, o dano psicológico das vítimas não deve ser subestimado. “Precisamos ajudar as vítimas”, afirmou. Assim, além da investigação criminal, o governo enfrenta também o desafio de restaurar a sensação de segurança e credibilidade institucional.
