Quanto custa comer? São Paulo tem a cesta básica mais cara do país

Cesta básica em SP exige 115 horas e 45 minutos de trabalho para ser comprada, o maior tempo entre as capitais, mesmo com queda dos preços

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Cesta básica compromete mais da metade do salário em São Paulo

Em março deste ano, dados sobre o custo da cesta básica acendem um alerta em São Paulo. Garantir a alimentação básica já consome mais da metade do salário mínimo.

Em fevereiro de 2026, a cesta básica custou R$ 852,87, o equivalente a 56,88% do rendimento mensal do trabalhador. Além disso, levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, mostra que a capital paulista lidera o ranking das cestas mais caras do país. Logo depois, aparecem Rio de Janeiro, Florianópolis e Cuiabá.


Tempo de trabalho aumenta para garantir alimentação

Além do impacto direto no orçamento, o custo da alimentação também exige mais tempo de trabalho. Em São Paulo, o trabalhador precisou dedicar 115 horas e 45 minutos para comprar a cesta básica.

Na prática, isso significa que quase metade do mês é utilizada apenas para garantir itens essenciais. Dessa forma, o peso da alimentação afeta diretamente a qualidade de vida da população.


Capitais com as cestas mais caras do país

Nas capitais com os maiores custos, o impacto no orçamento familiar se torna ainda mais evidente. Veja os dados:

  • São Paulo lidera, com R$ 852,87 e comprometimento de 56,88% da renda;
  • Em seguida, o Rio de Janeiro registra R$ 826,98, consumindo 55,15%;
  • Florianópolis apresenta custo de R$ 797,53, com 53,19% da renda;
  • Cuiabá aparece com R$ 793,77, equivalente a 52,94%;
  • Por fim, Porto Alegre soma R$ 786,84, comprometendo 52,48% do salário mínimo.

Assim, todas essas capitais apresentam níveis elevados de comprometimento da renda com alimentação básica.


Variação de preços pressiona orçamento

Apesar de uma leve queda de 0,18% em relação a janeiro, o custo em São Paulo continua alto. A redução ocorreu, principalmente, devido à queda nos preços de itens como tomate, açúcar, café, arroz e óleo de soja.

Por outro lado, produtos importantes ficaram mais caros, como feijão carioca, carne bovina, pão francês, manteiga e leite integral. Além disso, no acumulado dos últimos 12 meses, café e feijão registraram altas expressivas.

Enquanto isso, itens como arroz, batata e leite apresentaram queda no período. No entanto, essa redução não foi suficiente para aliviar de forma significativa o custo total da cesta.


Salário mínimo segue abaixo do necessário

Quando se considera o que prevê a Constituição, a diferença se torna ainda mais evidente. O salário mínimo deveria cobrir todas as despesas básicas de uma família.

No entanto, em fevereiro, o Dieese estimou que o valor necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria chegar a R$ 7.164,94. Ou seja, esse montante corresponde a cerca de 4,4 vezes o salário mínimo atual, fixado em R$ 1.621.

Dessa maneira, o cenário reforça a dificuldade enfrentada por milhões de brasileiros para manter o básico no dia a dia.