
Investigação e abertura de inquérito
A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar o companheiro de Thawanna da Silva Salmázio, morta por uma policial militar em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital, na noite da última sexta-feira (3/4).
Além disso, o servente de pedreiro Luciano Gonçalves dos Santos, que estava com a vítima no momento do disparo, responderá por resistência. Enquanto isso, a policial Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, aparece no registro como vítima.
Versões divergentes
Segundo os policiais militares, Luciano desobedeceu ordens e gritou contra a equipe. No entanto, a versão apresentada por ele contradiz o relato oficial.
De acordo com o servente, não houve abordagem. Ele afirmou que a policial desceu da viatura já atirando. Além disso, contou que o veículo passou em alta velocidade e quase atingiu o casal, o que teria assustado Thawanna.
Nesse momento, ainda segundo Luciano, a companheira reclamou da situação e, logo depois, a policial efetuou o disparo.
Momento do disparo
Inicialmente, Luciano acreditou que o tiro tinha sido feito com munição não letal. Por isso, ele passou a colaborar com os policiais, colocando no chão a bolsa e a blusa que vestia, com o objetivo de mostrar que não representava ameaça.
Mesmo assim, os agentes utilizaram spray de pimenta durante a ação.
Relato da policial
Por outro lado, a policial Yasmin afirmou que encontrou o casal discutindo no meio da rua. Segundo ela, Luciano esbarrou o braço na viatura, e os dois começaram a gritar em seguida.
Além disso, a PM declarou que o casal apresentava sinais de embriaguez. Ela também disse que a equipe precisou conter o homem, já que ele gesticulava de forma agressiva.
Ainda de acordo com a policial, Thawanna apontou o dedo em direção ao seu rosto e a agrediu durante a ocorrência.
Reação e testemunho
Uma testemunha registrou em vídeo o momento em que Luciano discutia com os policiais após o disparo. Nas imagens, ele questiona qual ameaça representava.
Os agentes pedem que ele se afaste. Em resposta, Luciano afirma: “Não te agredi, não. Você tem que proteger, tem que cuidar de mim”. Em seguida, ele demonstra revolta e questiona: “Se a minha mulher morrer, parceiro?”.
Protesto após a morte
Após a morte de Thawanna, moradores organizaram um protesto na Rua Alexandre Davidenko. Eles montaram barricadas e atearam fogo em objetos.
O Corpo de Bombeiros foi acionado. Além disso, equipes do Choque foram enviadas ao local para conter a situação.
Houve confronto entre policiais e manifestantes, com uso de bombas de gás lacrimogêneo. Também ocorreu uma tentativa de incendiar um ônibus. Até o momento, não há informações sobre feridos ou detidos.
Medidas e andamento do caso
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que analisará as imagens das câmeras corporais dos agentes.
Além disso, a corporação afastou os policiais das atividades operacionais e os colocou em funções administrativas até a conclusão das investigações.
Por fim, o caso foi registrado no 49º Distrito Policial (São Mateus) como resistência.













