Lula defende estoque de petróleo para o “país não ficar chupando dedo”

O presidente falou sobre a alta dos preços dos combustíveis durante evento em refinaria da Petrobras em Betim, em Minas Gerais

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Foto: Ricardo Stuckert / PR - Lula defende estoque de petróleo para o “país não ficar chupando dedo”

Defesa de estoque e controle na distribuição

Em Betim (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (20/3), que o Brasil crie um estoque próprio de combustíveis e retome uma distribuidora dentro da Petrobras. Segundo ele, a medida evitaria que o país fique vulnerável durante crises internacionais. Além disso, Lula criticou os efeitos da privatização da BR Distribuidora e afirmou que, no cenário atual, o consumidor acaba prejudicado.

De acordo com o presidente, a ausência de uma distribuidora sob controle estatal dificulta a chegada dos preços definidos pela Petrobras ao consumidor final. “A Petrobras determina um preço, esse valor aparece no noticiário, o distribuidor lucra e, enquanto isso, o consumidor fica sem benefício”, afirmou. Dessa forma, Lula reforçou que o país precisa de mecanismos para reduzir o impacto das oscilações do mercado.

Soberania energética e impacto social

Ainda durante a agenda em uma refinaria da estatal, em Minas Gerais, o presidente destacou que um país soberano precisa manter reservas estratégicas. Assim, em momentos de especulação ou crise, o governo poderia intervir para conter a alta dos preços. Atualmente, porém, a Petrobras mantém apenas estoques operacionais, voltados à logística e ao funcionamento das refinarias.

Além disso, Lula afirmou que a população de baixa renda costuma ser a mais afetada pela alta dos combustíveis. Ele também criticou conflitos internacionais e questionou os impactos econômicos dessas crises. Segundo o presidente, trabalhadores acabam pagando mais caro por fatores externos, o que pressiona o custo de vida.

Pressão por queda nos preços

A visita ocorre em meio à pressão sobre o governo federal devido à alta do diesel. Esse aumento impacta diretamente o custo do transporte e, consequentemente, preocupa o setor produtivo. Além disso, caminhoneiros já sinalizam a possibilidade de paralisações.

Nos últimos meses, o combustível acumulou reajustes influenciados pelo cenário internacional e pela política de preços da Petrobras. Por isso, cresceram as cobranças por medidas que reduzam os valores nas bombas. Nesse contexto, a agenda em Minas Gerais também serve para o governo indicar ações que garantam maior estabilidade no abastecimento e nos preços.

Proposta sobre o ICMS

Por fim, na quinta-feira (19), Lula pediu aos governadores que reduzam as alíquotas do ICMS sobre combustíveis. Em contrapartida, a União propôs compensar metade da perda de arrecadação, estimada em cerca de R$ 3 bilhões por mês. Dessa maneira, o governo tenta diminuir o impacto da alta no bolso dos brasileiros.