Durigan rebate projeção do FMI de que dívida pode alcançar 100% do PIB

Segundo ministro da Fazenda, a estimativa do organismo internacional considera critérios diferentes dos adotados pelo governo brasileiro

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Foto: Diogo Zacarias/MF -

MINISTRO CONTESTA PROJEÇÃO DO FMI SOBRE DÍVIDA PÚBLICA

DIVERGÊNCIA METODOLÓGICA ENTRE GOVERNO E FMI

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu nesta terça-feira (15/4) a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a dívida pública brasileira pode alcançar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Segundo ele, a estimativa utiliza critérios diferentes dos adotados pelo governo brasileiro e, além disso, acaba inflando o cálculo do endividamento.

TÍTULOS DO TESOURO GERAM DIFERENÇA NO CÁLCULO

De acordo com o ministro, a principal divergência está na metodologia aplicada. Ele explicou que existem títulos do Tesouro que permanecem custodiados no Banco Central e, portanto, não são usados para financiar a dívida. Ainda assim, o FMI inclui esses valores no cálculo total.

Atualmente, Durigan está em Washington, nos Estados Unidos, onde se reúne com líderes mundiais. Segundo ele, esses papéis integram a chamada “carteira livre” do Banco Central e, dessa forma, não deveriam ser considerados como dívida efetiva.

EQUIPE ECONÔMICA APONTA DISTORÇÃO NA ANÁLISE

Na avaliação da equipe econômica, a inclusão desses ativos gera uma distorção na comparação internacional e, consequentemente, cria uma percepção mais negativa sobre a trajetória da dívida brasileira. Por outro lado, o FMI adota uma metodologia padronizada entre os países, o que explica a inclusão desses títulos no cálculo do endividamento bruto.

GOVERNO REFORÇA COMPROMISSO FISCAL

Apesar da divergência, Durigan reconheceu que a dívida pública continua como uma preocupação central. No entanto, ele destacou que o governo mantém um plano para estabilizar e, no médio prazo, reduzir o indicador.

“O que eu procuro reforçar é que temos compromisso com a estabilização da trajetória da dívida pública e com a sua redução ao longo do tempo”, afirmou.

ESTRATÉGIA ENVOLVE SUPERÁVIT E CRESCIMENTO

Segundo o ministro, a estratégia do governo inclui a geração de superávits primários nos próximos anos, conforme prevê o novo arcabouço fiscal. Além disso, ele destacou que a economia brasileira tem apresentado resultados acima das expectativas, o que pode contribuir positivamente para a dinâmica da dívida.

Dessa maneira, o crescimento econômico tende a elevar a arrecadação e melhorar a relação entre dívida e PIB.

FOCO ESTÁ NA SUSTENTABILIDADE DA ECONOMIA

A projeção do FMI reacendeu o debate sobre a sustentabilidade fiscal do Brasil. Ainda assim, a equipe econômica acredita que a combinação de crescimento, controle de gastos e geração de superávits será suficiente para evitar uma escalada da dívida.

Por fim, Durigan afirmou que o foco do governo é fortalecer a resiliência da economia, adotando medidas que garantam equilíbrio fiscal sem comprometer a atividade econômica.