Racismo ainda existe? A ferida aberta que o Brasil insiste em não fechar

O racismo ainda existe no Brasil e se manifesta tanto de forma estrutural quanto no cotidiano.

- Imagem ilustrativa feita por IA.

Apesar de avanços legais e maior debate público, o racismo continua presente no cotidiano brasileiro. É importante reconhecer que Racismo ainda existe no Brasil. Ele mudou de forma, tornou-se mais sutil em alguns ambientes; em outros, porém, permanece escancarado. Portanto, a pergunta não é se o racismo já foi superado. A questão real é: estamos dispostos a enxergá-lo como ele se manifesta hoje? Inclusive, precisamos lembrar que Racismo ainda existe no Brasil em diferentes esferas sociais.


Estrutural

O Brasil aboliu a escravidão em 1888. No entanto, não criou políticas efetivas de inclusão para a população negra recém-liberta. Como resultado, milhões de pessoas foram empurradas para a marginalização social, sem acesso a terra, educação ou trabalho digno.

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Consequentemente, essa exclusão histórica moldou desigualdades que ainda se refletem nos indicadores sociais. Dados do IBGE mostram que a população negra, em média, recebe salários menores, possui menos anos de estudo e é maioria entre os mais pobres. Além disso, é também a principal vítima da violência letal no país.

Casos emblemáticos reforçam essa realidade. O assassinato de João Alberto Silveira Freitas, espancado até a morte em um supermercado em Porto Alegre, em 2020, gerou protestos nacionais e internacionais. Mais recentemente, episódios de discriminação em lojas, condomínios e até em ambientes acadêmicos continuam sendo registrados, com denúncias frequentes de abordagens humilhantes e tratamento diferenciado.

Ou seja, o racismo não desapareceu. Racismo ainda existe no Brasil e se reorganizou dentro das estruturas sociais.


Cotidiano

Por outro lado, o preconceito também aparece em situações diárias:

  • abordagens policiais desproporcionais;
  • dificuldade de ascensão profissional;
  • estereótipos reproduzidos na mídia;
  • ataques racistas nas redes sociais;
  • casos em estádios de futebol e escolas.

No futebol, por exemplo, jogadores brasileiros e estrangeiros continuam sendo alvos de ofensas racistas em competições nacionais e internacionais. Vinícius Júnior, atleta do Real Madrid, sofreu ataques reiterados na Espanha, o que provocou repercussão global e levou autoridades a prometer punições mais rigorosas.

Embora muitos insistam que “é exagero”, relatos e processos judiciais mostram que o problema permanece vivo. Inclusive, o número de denúncias por injúria racial e racismo cresceu nos últimos anos, especialmente após a equiparação da injúria racial ao crime de racismo pelo Supremo Tribunal Federal. Da mesma forma, é fundamental reforçar que Racismo ainda existe no Brasil e influencia o cotidiano de milhões.

Assim, o que antes era naturalizado passou a ser questionado.


Mundo

Fora do Brasil, a realidade não é diferente. O assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, em 2020, desencadeou uma onda global de protestos contra o racismo estrutural e a violência policial. Desde então, movimentos antirracistas ganharam força em diversos países.

Além disso, episódios recentes de discriminação contra imigrantes africanos e asiáticos na Europa, bem como ataques racistas em ambientes esportivos e universitários, demonstram que o problema atravessa fronteiras. Em vários países, partidos de extrema-direita ampliaram discursos que associam minorias étnicas a criminalidade e crise econômica, alimentando tensões sociais.

Portanto, o racismo não é um fenômeno isolado. Ele se manifesta de maneiras distintas, mas mantém raízes profundas em diferentes sociedades.


Mudanças

Ao mesmo tempo, o país avançou em políticas públicas. A Lei de Cotas ampliou o acesso de estudantes negros ao ensino superior. Empresas passaram a discutir diversidade. Campanhas educativas ganharam espaço.

Entretanto, avanço legal não significa transformação automática da mentalidade coletiva. Preconceitos históricos ainda influenciam decisões, relações sociais e oportunidades.

Portanto, afirmar que o racismo “já foi” ignora a realidade estatística e social. Por isso, é imprescindível lembrar que Racismo ainda existe no Brasil e merece discussão constante.


Debate

Existe também uma disputa narrativa. Parte da sociedade acredita que o Brasil é “miscigenado demais” para ser racista. Contudo, miscigenação não elimina desigualdade. Pelo contrário, muitas vezes ela mascara hierarquias raciais enraizadas.

Além disso, o debate ganhou força nas redes sociais. Movimentos negros ampliaram vozes, denunciaram injustiças e pressionaram por mudanças. Em contrapartida, surgiram reações e discursos que tentam deslegitimar essas pautas.

Isso demonstra que o tema está longe de ser consenso.


Realidade

O racismo ainda é uma realidade no Brasil e no mundo. Ele pode não se apresentar da mesma forma que no período escravocrata; porém, continua impactando vidas, oportunidades e trajetórias.

Reconhecer essa permanência é o primeiro passo para combatê-la. Negar sua existência, por outro lado, apenas prolonga o problema.

Afinal, uma sociedade que se diz moderna precisa enfrentar suas próprias contradições. E o racismo é uma das maiores delas.