Condenado a quase 126 anos de prisão, Gerson Palermo figura entre os nomes históricos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, a Justiça o responsabilizou por tráfico internacional de drogas e pelo sequestro de um avião comercial em 2000. Após cumprir pena em presídio federal de segurança máxima, ele deixou a unidade em 2020 por decisão judicial. No entanto, pouco depois, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Atualmente, integra a lista de procurados do Sistema Único de Segurança Pública.
trajetória no crime organizado
Ao longo de duas décadas, investigadores apontaram Palermo como uma das lideranças do PCC, facção com atuação dentro e fora dos presídios. Nesse sentido, seu nome aparece em operações de grande impacto contra o crime organizado.
Principalmente, dois episódios marcaram sua trajetória: o sequestro de uma aeronave comercial e o comando de um esquema internacional de tráfico de drogas.
o sequestro do boeing
Em agosto de 2000, Palermo participou do sequestro de um Boeing 727 da Vasp. A aeronave decolou de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba. Cerca de 20 minutos após a decolagem, o grupo assumiu o controle do avião.
Em seguida, os criminosos forçaram o pouso em Porecatu, no Paraná. No local, roubaram nove malotes do Banco do Brasil, que totalizavam aproximadamente R$ 5,5 milhões. Por esse crime, a Justiça condenou Palermo a 66 anos e 9 meses de prisão.
operação all in e nova condenação
Anos depois, Palermo voltou ao centro de outra grande investigação. Em março de 2017, por exemplo, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In para desarticular um esquema de tráfico internacional de drogas.
Segundo a PF, a organização transportava cocaína da Bolívia em aviões até Corumbá (MS). Posteriormente, o grupo distribuía a droga em caminhões para outros estados. Ao todo, a operação ocorreu em seis unidades da federação e resultou na apreensão de 810 quilos de cocaína.
Por esses crimes, a Justiça aplicou mais 59 anos de prisão por tráfico e associação para o tráfico. Assim, as penas somadas alcançaram quase 126 anos.
saída do presídio e fuga
Após as condenações, Palermo cumpria pena no presídio federal de Campo Grande, em regime fechado. Ainda assim, em 2020, ele deixou a unidade por decisão do então desembargador Divoncir Schreiner Maran, que concedeu prisão domiciliar sob alegação de problemas de saúde.
Contudo, instâncias superiores anularam a decisão. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada.
Pouco depois de sair da unidade federal, Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu. Desde então, permanece foragido.
punição ao magistrado
Enquanto o caso avançava, o CNJ abriu processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do magistrado. Nesta terça-feira (10), o órgão aplicou a pena de aposentadoria compulsória ao desembargador Divoncir Schreiner Maran.
Segundo o relator do processo, conselheiro João Paulo Schoucair, a decisão extrapolou os limites da atuação judicial e ocorreu sem base técnica adequada. Além disso, o Conselho apontou que investigações da Polícia Federal identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do magistrado.
Assim, enquanto o Judiciário conclui a apuração disciplinar, Gerson Palermo segue fora do alcance das autoridades. Mesmo condenado a quase 126 anos de prisão, ele permanece como um dos foragidos mais emblemáticos ligados ao crime organizado no país.
