
A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a impactar fortemente o mercado internacional de energia nesta quinta-feira (19). O preço do petróleo Brent superou a marca de US$ 115 por barril, enquanto o gás natural registrou forte alta na Europa após ataques a importantes instalações energéticas na região.
Ataques ampliam risco de interrupção no fornecimento
Os preços reagiram depois que o Irã atingiu estruturas de produção de combustíveis em países do Golfo Pérsico. A ofensiva ocorreu como resposta ao ataque de Israel ao campo de South Pars, considerado o maior polo de produção de gás natural do mundo.
Como consequência, o mercado passou a projetar risco de interrupção prolongada no abastecimento global. Além disso, o clima de incerteza elevou a volatilidade nas bolsas internacionais.
Segundo a estatal QatarEnergy, um dos bombardeios destruiu cerca de 17% da capacidade de produção de gás natural liquefeito do Catar, com impactos que podem durar de três a cinco anos.
Mercado reage com alta expressiva
Durante a manhã, os contratos futuros do Brent avançaram mais de 6%, atingindo o maior patamar em mais de uma semana. O petróleo WTI, referência dos Estados Unidos, também subiu, embora em ritmo mais moderado.
Ao mesmo tempo, o preço do gás natural na Europa chegou a disparar 35% no início do dia. Posteriormente, a alta desacelerou, mas ainda se mantinha acima de 10%.
Analistas apontam que os ataques à infraestrutura energética, somados à morte de lideranças iranianas no conflito, aumentam o temor de desequilíbrio prolongado no mercado de energia.
Bolsas globais registram perdas
O agravamento da crise também pressionou o mercado financeiro. Nos Estados Unidos, os índices futuros operaram em queda, enquanto bolsas europeias e asiáticas registraram perdas significativas ao longo do pregão.
Especialistas avaliam que o aumento do preço do petróleo pode impactar a inflação global e dificultar decisões de política monetária em diversos países.
Países pedem cessar-fogo imediato
Em reunião realizada na Arábia Saudita, representantes de 12 países árabes e islâmicos condenaram os ataques e cobraram o fim imediato das ofensivas. Em declaração conjunta, os governos defenderam o respeito ao direito internacional e alertaram para riscos à segurança energética mundial.
Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos estuda ampliar a presença militar na região. Entre as alternativas analisadas estão operações para garantir a passagem segura de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
