Preço cai na Petrobras, mas o consumidor segue pagando a conta

Economista revela por que o corte da Petrobras não chega ao bolso do consumidor

Mesmo quando a Petrobras anuncia redução no preço da gasolina, o motorista quase não sente alívio no bolso. O motivo é simples: o valor definido pela estatal é apenas uma parte da conta final.

Impostos, custos de transporte, despesas operacionais dos postos e a dinâmica da concorrência interferem diretamente no preço cobrado ao consumidor. Em estados como Roraima, o impacto tende a ser ainda menor por causa da origem do combustível.

Redução fica na distribuidora

De acordo com o economista Fábio Martinez, a queda anunciada pela Petrobras vale para o preço praticado junto às distribuidoras. Isso não significa redução automática nas bombas.

Em Roraima, grande parte da gasolina não vem das refinarias da Petrobras. O combustível chega principalmente da refinaria do Amazonas, que foi privatizada e não segue a política de preços da estatal.

“Essa refinaria opera pela lógica de mercado. Quando os custos sobem, o repasse acontece rápido. Já as reduções nem sempre seguem o mesmo ritmo”, explica o economista.

Concorrência limita o repasse

Outro fator decisivo é a concorrência entre os postos. No Brasil, os preços dos combustíveis são livres e dependem mais do mercado local do que do valor de origem.

“O que se observa é uma grande semelhança nos preços. Para o consumidor, muitas vezes não faz diferença onde abastecer, porque os valores são praticamente iguais”, afirma Martinez.

Essa uniformidade reduz o estímulo para que os postos repassem as quedas de preço.

Consumo não reage à queda

A gasolina também é considerada um bem de consumo inelástico. Mesmo com redução no preço, o consumo não aumenta de forma significativa.

“As pessoas mantêm os mesmos trajetos. A queda no preço não gera aumento proporcional no consumo, o que acaba favorecendo mais os reajustes para cima do que para baixo”, explica o economista.

Impostos e logística pesam

No preço final ainda entram impostos estaduais, como o ICMS, tributos federais e os custos operacionais dos postos, incluindo aluguel, salários e logística.

Em regiões distantes dos grandes centros, como Roraima, o transporte encarece ainda mais o produto. Isso limita o efeito das reduções anunciadas na origem.

Segundo Martinez, o repasse ao consumidor depende do nível de concorrência. “Onde há mais competição entre os postos, a chance de o motorista sentir a queda é maior”, pontua.

Por fim, o economista recomenda que o consumidor pesquise preços, observe diferenças entre formas de pagamento e adote hábitos que ajudem a economizar, como direção mais eficiente e caronas compartilhadas.