Pós-Natal no ES: o que os números do varejo realmente mostram

O comércio varejista do Espírito Santo encerrou o período pós-Natal com resultado melhor do que o esperado, mas longe de qualquer euforia. Entre os dias 26 e 31 de dezembro, o movimento caiu em relação à semana do Natal, como é natural, porém se manteve acima da média histórica para esse intervalo do ano.

Na prática, o varejo capixaba conseguiu segurar o faturamento, sustentado pelo consumo essencial, pelo turismo interno e por promoções direcionadas.

O que sustentou o comércio

O desempenho positivo teve pilares bem definidos.

Supermercados e alimentação lideraram o giro. Famílias seguiram comprando para confraternizações tardias, férias e Réveillon. No litoral, o fluxo de turistas reforçou o caixa de mercados, padarias e atacarejos.

Bebidas mantiveram vendas fortes até a virada do ano, especialmente em municípios turísticos como Guarapari, Vila Velha, Vitória e Anchieta.

Farmácias e perfumarias também registraram bom desempenho. Presentes de última hora, autocuidado e reposição ajudaram a manter o fluxo constante.

Já os eletroportáteis de menor valor, vendidos com desconto real no pós-Natal, tiveram saída melhor do que os bens de alto tíquete.

Onde o freio apareceu

A desaceleração foi mais visível em segmentos sensíveis ao crédito.

O vestuário e o setor de calçados sentiram queda acentuada a partir do dia 26, mesmo com liquidações. O consumidor entrou em modo de contenção.

Nos bens duráveis, como móveis e televisores de grande porte, o movimento ficou travado. Juros altos e endividamento reduziram o apetite por parcelamentos longos.

Em shoppings centers, a redução do fluxo foi mais sentida do que no comércio de rua, especialmente após o fim das promoções mais agressivas.

Um consumidor mais cauteloso

O comportamento do consumidor foi decisivo.

As compras ficaram mais racionais e seletivas. Houve busca intensa por:

  • descontos reais
  • parcelamento sem juros
  • produtos de necessidade imediata

O impulso emocional típico do fim de ano perdeu força. A proximidade de despesas como IPVA, material escolar e impostos pesou na decisão de compra.

O papel do turismo

O turismo interno funcionou como amortecedor econômico. Municípios litorâneos conseguiram compensar parte da retração urbana, mantendo bares, restaurantes e comércio local aquecidos até o Réveillon.

O varejo evitou queda brusca, protegeu margens onde foi possível e entrou em janeiro com estoques mais ajustados. O recado é claro: 2026 começa exigindo estratégia, preço e criatividade, em um cenário de consumo mais defensivo.