
A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, já vinha sofrendo perseguições e ameaças do namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, antes de ser morta.
Segundo familiares, a vítima trocou o cadeado da casa um dia antes do crime por medo. Isso porque o policial insistia em manter o relacionamento e não aceitava o fim. Além disso, ele já havia danificado a porta do imóvel em uma tentativa anterior de invasão.
O pai de Dayse relatou que a filha enfrentava um relacionamento conturbado, marcado por idas e vindas. De acordo com ele, o suspeito chegou a fazer ameaças. “Ele disse que, se ela não ficasse com ele, não ficaria com ninguém”, afirmou.
Como ocorreu o crime
O crime aconteceu na madrugada desta segunda-feira (23), no bairro Mário Cypreste. Conforme relatos, o policial invadiu a casa durante a noite. Ele utilizou uma escada para acessar o imóvel e, em seguida, arrombou a porta da sacada.
A vítima dormia no momento da invasão. O pai dela estava em um quarto ao lado e acordou após ouvir disparos. Após o crime, o autor tirou a própria vida dentro da residência.
O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarilio Boni, informou que o suspeito já chegou ao local com a intenção de cometer o feminicídio. Segundo ele, a forma de entrada e a dinâmica indicam que a vítima não teve chance de reagir.
Trajetória e atuação na segurança pública
Dayse Barbosa Mattos foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal de Vitória. Ao longo da carreira, ela se destacou pela atuação no combate à violência contra mulheres e crianças.
O prefeito da capital, Lorenzo Pazolini, ressaltou a importância do trabalho desenvolvido por Dayse. Segundo ele, a comandante liderava ações que contribuíram para reduzir casos de violência doméstica na cidade.
Dayse era formada em Pedagogia e ingressou na segurança pública em 2012. Desde então, acumulou experiência em patrulhamento e operações, tornando-se referência na área.
Cidade decreta luto oficial
A morte da comandante gerou forte comoção. A Prefeitura de Vitória decretou luto oficial de três dias em homenagem à servidora.
Além disso, o caso chama atenção pelo contexto. A cidade estava há mais de 650 dias sem registros de feminicídio. Nesse sentido, autoridades destacaram a importância de reforçar políticas públicas de proteção às mulheres.
Dayse deixa uma filha de sete anos. O caso segue sob investigação das autoridades.
