
Um dossiê divulgado pela ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) nesta segunda-feira (26) mostra que 80 pessoas transexuais foram mortas por Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) motivados por transfobia em 2025.
Conforme os dados, o perfil das vítimas é composto majoritariamente por travestis e/ou mulheres transexuais negra ou parda, entre 18 e 29 anos.
Apesar de o número de mortes ser o menor em oito anos, houve um aumento de 45% nas notificações de agressões por transfobia entre 2024 e 2025.
Descrição do perfil das vítimas
Gênero
Travestis/mulheres trans representaram quase que o número total de mortes intencionais, com 77 casos. Outros três casos foram registrados contra homens trans e pessoas transmasculinas.
De acordo com a ANTRA, a predominância de casos contra mulheres é correlacionado à violência de gênero que se expande também para mulheres cisgênero.
“A própria escolha da vítima têm relação direta com a identidade de gênero (feminina) expressa pelas vítimas”, diz trecho do dossiê.
Raça/cor
Em relação à identificação de raça/cor, foi possível contabilizar que das 57 pessoas autodeclaradas, ao menos 70% (40) eram pretas ou pardas. Esse número faz parte da média de pessoas trans negras assassinadas que permanece em dominância desde 2017.
Houve ainda casos de homicídio de 15 pessoas trans brancas e duas indígenas.

Faixa etária
De acordo com o dossiê, a maior parte das vítimas de homicídio tinham entre 18 e 29 anos. Não houve nenhum registro de morte para pessoas acima dos 60 anos.
A associação registrou a morte de duas vítimas menores de idade.

No dossiê, a ANTRA reforça que o resultado desse perfil evidencia pessoas em vulnerabilidade social como um fator de risco, principalmente quando se fala de profissionais do sexo. Segundo a associação, essa população é a mais exposta à violência direta.
Incidência por estado
Os estados com maior número de ocorrência são o Ceará e Minas Gerais, ambos com 8 mortes cada. Veja a lista completa:
- Ceará (8);
- Minas Gerais (8);
- Bahia (7);
- Pernambuco (7);
- Goiás (5);
- Maranhão (5);
- Pará (5);
- Paraíba (4);
- Paraná (4);
- Rio Grande do Norte (4);
- São Paulo (4).
Não foram disponibilizadas informações sobre mortes nos estados Acre, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins. Os assassinatos ocorrem principalmente em locais públicos de cidades do interior (67,5%).
O Brasil segue liderando a posição de país que mais mata pessoas trans há quase duas décadas.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
FONTE: CNN BRASIL
