
O processo movido pelo bispo de Cachoeiro de Itapemirim, Dom Luiz Fernando Lisboa, contra a ex-candidata a vereadora e católica fervorosa, Mayla Picoli, expõe um dilema que transcende a disputa judicial: a contradição entre o discurso pastoral e a prática institucional.
Mayla não é uma militante de fora da Igreja nem uma ativista anticlerical. Ao contrário: é católica praticante, fiel fervorosa, que dedicou anos de sua vida à música litúrgica como cantora e organista. Justamente por isso, o peso da ação judicial se torna ainda mais grave: não se trata de um embate externo, mas de uma perseguição interna, de um pastor contra uma de suas próprias ovelhas.
O bispo, que deveria ser o “bom pastor que dá a vida pelas ovelhas” — como prega o Evangelho —, escolheu acionar a Justiça comum em busca de R$ 35 mil de indenização por ofensas nas redes sociais. A quantia, ainda que seja apresentada como reparação moral, soa como uma cobrança indevida que recai, em última instância, sobre os próprios fiéis, já que é o povo quem sustenta a Igreja.
Ao pedir indenização em dinheiro, Dom Luiz Lisboa se coloca mais próximo de um gestor capitalista venal do que de um líder espiritual. A fé se transforma em ativo financeiro, e a cruz cede lugar ao carnê de cobrança. Em vez do diálogo fraterno, a opção foi judicializar.
Até Papas são criticados ao longo da história, alguns como socialistas por causa da agenda progressista. Outros como fascistas por conta da jornada opressora. A própria história exigiria da Igreja Católida desde às indugências reparação pelas atrocidades contra leigos.
Neste caso, curioso, o bispo foi capitalista. São Paulo que repreendeu lrmãos que buscavam justiça dos homens para suas demandas, enquanto deveriam cuidar em amor resolver seus problemas dentro das suas comunidades, o que segundo o apóstolo envergonhava o Evangelho.
Na ação, Dom Luiz Fernando Lima pede R$ 20 mil de indenização para a Diocese e R$ 15 mil para si. Atitude vergonhosa para um líder religioso. Talvez, a fiel tenha errado na origem e devia chamá-lo de “capitalista”. Tanto o Comunismo quanto o Capitalismo são combatidos pelo Igreja Católica, porém essas ideologias sempre marcaram os papados.
Será que a Igreja Católica processou os diretores e atores do filme Anjos e Demônios, clássica pecúlica que mostra o lado obscuro do Vaticano com o protagonismo de Tom Hanks? É mais fácil amordaçar a Liberdade de Expressão de uma fiel. Se a moda pega, é melhor voltar ao tempo das indulgências.