
O congelamento de óvulos deixou de ser assunto apenas da ficção e passou a fazer parte da realidade de milhares de mulheres. Assim como a personagem Andy Sachs, interpretada por Anne Hathaway em “O Diabo Veste Prada 2”, muitas brasileiras buscam mais liberdade para decidir o melhor momento de engravidar.
Além disso, o avanço da medicina reprodutiva permite que mulheres preservem a fertilidade enquanto priorizam carreira, estabilidade financeira ou objetivos pessoais. Dessa forma, o procedimento cresce rapidamente no Brasil e em vários países.
Dados do IBGE mostram essa mudança de comportamento. A idade média das brasileiras ao terem filhos passou de 26 anos, em 2000, para 28 anos, em 2022. Ao mesmo tempo, aumentou o número de mães entre 35 e 39 anos.
No entanto, a fertilidade feminina diminui com o passar do tempo. Aos 35 anos, as chances de engravidar naturalmente caem de forma significativa. Por isso, especialistas recomendam que as mulheres discutam o planejamento reprodutivo o quanto antes.
Segundo o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Anvisa, os ciclos de congelamento de óvulos praticamente dobraram entre 2020 e 2023 no Brasil. O número saltou de 2.193 para 4.340 procedimentos.
Avaliação da reserva ovariana é fundamental
Toda mulher nasce com uma quantidade limitada de folículos nos ovários. Esses folículos podem gerar óvulos maduros ao longo da vida fértil. Porém, essa reserva diminui continuamente e não se renova.
Por isso, o acompanhamento ginecológico se torna essencial. O médico consegue avaliar a reserva ovariana e indicar o melhor momento para preservar os óvulos.
De acordo com o diretor médico do FertGroup, Dr. Oscar Duarte, algumas pacientes precisam antecipar os planos de gravidez. Já outras podem optar pelo congelamento para aumentar as chances futuras de maternidade.
Quanto antes, maiores são as chances
A idade influencia diretamente na qualidade dos óvulos. Dessa maneira, especialistas recomendam realizar o congelamento o mais cedo possível.
Após os 35 anos, a perda dos folículos acelera. Além disso, os óvulos restantes tendem a apresentar menor qualidade, o que dificulta a gestação e aumenta o risco de alterações genéticas.
Por esse motivo, mulheres mais jovens costumam precisar de menos ciclos de coleta para alcançar uma boa reserva de óvulos congelados.
Hábitos saudáveis ajudam na fertilidade
O estilo de vida também interfere na qualidade dos óvulos. Portanto, manter hábitos saudáveis pode ajudar a preservar a saúde reprodutiva.
Evitar cigarro e álcool reduz danos celulares provocados pelo estresse oxidativo. Além disso, dormir bem auxilia na produção adequada de melatonina, hormônio importante para a proteção das células.
Uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, fibras e gorduras boas, também contribui para reduzir inflamações e preservar a fertilidade.
Como funciona o congelamento de óvulos
O procedimento começa com a estimulação hormonal dos ovários durante cerca de 10 a 12 dias. Nesse período, os médicos acompanham o crescimento dos folículos por exames.
Depois disso, o especialista realiza a coleta dos óvulos com uma agulha fina guiada por ultrassom transvaginal. O procedimento é minimamente invasivo e utiliza sedação.
Em seguida, os profissionais analisam os óvulos em laboratório. Os mais saudáveis passam pelo processo de vitrificação, técnica moderna que evita danos às células durante o congelamento.
Nem todos os óvulos congelados resultarão em embriões viáveis no futuro. Por isso, em alguns casos, o médico pode recomendar mais de um ciclo de coleta para aumentar as chances de gravidez.











