
Ecoporanga terá museu dedicado às lutas camponesas
O município de Ecoporanga, no Noroeste do Espírito Santo, ganhará em breve um importante marco cultural: o Museu do Cotaxé. O prefeito José Luiz Mendes (PSB) anunciou o projeto no último sábado (31), durante um encontro com moradores do distrito de Cotaxé. A iniciativa visa resgatar as memórias da luta pela terra e do movimento do Contestado, ocorrido na década de 1920.
Além de preservar o passado, a construção do museu deve começar até 2027 na praça central do distrito. Atualmente, a administração municipal finaliza a contratação da empresa Via Voz, que assinará o projeto. O prefeito ressaltou que a comunidade participará ativamente do processo por meio de audiências públicas, garantindo que as histórias locais alcancem as novas gerações e o restante do país.
O Contestado e a disputa de fronteiras
A exposição principal do museu focará no Contestado, um conflito histórico provocado pela indefinição das fronteiras entre o Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. Nesse contexto, a disputa pelo controle de impostos e da população transformou a região em um cenário de instabilidade, onde a “lei do mais forte” imperou por décadas.
Embora o embate tenha envolvido cidades como Nova Venécia e Barra de São Francisco, a paz definitiva só ocorreu em 1963, com a assinatura de um tratado oficial. O museu pretende detalhar como essa indefinição territorial moldou a identidade e a resistência dos moradores locais.
Resistência e repressão no campo
Paralelamente à questão territorial, o museu abordará a resistência camponesa da década de 1950. Naquela época, Udelino Alves de Matos liderou trabalhadores rurais contra o avanço dos latifundiários. Contudo, a repressão militar agiu com violência, resultando em mortes e consolidando temporariamente o poder de fazendeiros e madeireiros.
Apesar da derrota inicial, a luta ganhou fôlego nos anos seguintes com o apoio do Partido Comunista do Brasil (PCB) e, posteriormente, com a chegada do MST na década de 1980. Hoje, o movimento continua vivo na região, buscando a criação de novos assentamentos, como o acampamento Derli Casali.
Educação e cultura como pilares do futuro
Para complementar o resgate histórico, a região já conta com a Casa Comuna, que promove atividades culturais como o Cineclube Contestado. O próximo passo ambicioso é a criação da Universidade Livre de Cotaxé.
Em suma, essa instituição pretende oferecer cursos voltados para questões populares através de parcerias com a Ufes e o Ifes. O objetivo central é democratizar o acesso à educação para movimentos sociais e coletivos, transformando o conhecimento em uma ferramenta de transformação para a comunidade de Cotaxé.
