Mulheres que decidem seguir carreira na construção civil ainda enfrentam desafios em um setor majoritariamente masculino. No entanto, em Oriximiná, no oeste do Pará, um grupo de 30 mulheres, todas mães de família, decidiu mudar esse cenário ao ocupar canteiros de obras e investir na qualificação profissional.
Nesse contexto, elas participam do projeto Educação pela Amazônia, que oferece cursos de Pedreiro de Alvenaria e Carpintaria de Construção Civil, áreas historicamente dominadas por homens. Assim, a iniciativa aposta na formação técnica como ferramenta de inclusão social e autonomia econômica.
Capacitação e autonomia
Além disso, o curso vai além do aprendizado prático, como levantar paredes e estruturar telhados. Ao mesmo tempo, a formação fortalece a independência das participantes e estimula a inserção feminina em um mercado que, até pouco tempo, mantinha barreiras à presença das mulheres.
Segundo a coordenadora Isabele Silva Vasconcelos, o desempenho das alunas tem superado expectativas. Inicialmente, muitas chegaram sem experiência. Hoje, já executam atividades práticas com mais segurança e confiança.
“De fato, percebemos muito empenho e interesse em aprender uma área antes vista como exclusivamente masculina. Além disso, o curso fortalece a autoestima e mostra que essas mulheres podem ocupar qualquer espaço no mercado de trabalho”, afirmou.
Oportunidade de renda
Por outro lado, grande parte das participantes atua como chefe de família e vê na construção civil uma oportunidade concreta de independência financeira. Com isso, o curso contribui para a valorização da mão de obra feminina no interior do estado e impacta diretamente a realidade socioeconômica de Oriximiná.
Para Rosimeire Nascimento, de 54 anos, o projeto chegou no momento certo. Segundo ela, a formação preencheu lacunas de conhecimento e trouxe aprendizado prático para o dia a dia.
Da mesma forma, Jandira Pereira Silva, de 39 anos, mãe solo, avalia que o curso abre portas para novas oportunidades. “Aprendi a rebocar, assentar tijolo e preparar massa. Portanto, mulher também pode trabalhar como pedreira”, afirmou.
Transformação social
Por fim, as participantes destacam que o conhecimento adquirido vai além do mercado de trabalho e também pode ser aplicado na rotina familiar. Dessa maneira, o curso representa superação, fortalecimento pessoal e novas perspectivas de futuro.
A iniciativa é executada pelo Centro de Estudos Sociais Interestadual (CESI) e conta com aporte financeiro da Mineração Rio do Norte (MRN). Assim, o projeto se consolida como exemplo de parceria entre o setor social e a iniciativa privada, promovendo desenvolvimento sustentável e impacto social na Amazônia.
