Uma policial militar morreu após sofrer um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, na manhã de quarta-feira (18), no Brás, região central de São Paulo. Inicialmente, a Polícia Civil registrou o caso como suicídio consumado. No entanto, posteriormente, os investigadores incluíram a classificação de morte suspeita para apurar as circunstâncias do disparo.
A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, era casada com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Além disso, ela deixa uma filha de 7 anos, de outro relacionamento.
Segundo o boletim de ocorrência, o marido encontrou a policial caída no chão, com uma arma na mão e sangramento intenso. Em seguida, equipes de resgate socorreram Gisele e a encaminharam ao Hospital das Clínicas. Contudo, apesar do atendimento médico, ela não resistiu.
Relato da família
Em depoimento, a mãe da vítima afirmou que a filha vivia um relacionamento conturbado. De acordo com ela, o oficial impunha restrições e adotava comportamento abusivo.
A mãe relatou que Gisele não podia usar batom, salto alto ou perfume. Além disso, afirmou que o tenente-coronel exigia o cumprimento rigoroso de tarefas domésticas. Ainda segundo o depoimento, quando Gisele mencionou a intenção de se separar, o oficial teria enviado pelo celular uma foto em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.
Na última sexta-feira (13), conforme a mãe, Gisele telefonou dizendo que não suportava mais a pressão e que pretendia encerrar o casamento.
Até o momento, a polícia não considera o tenente-coronel suspeito. Ainda assim, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as equipes continuam as diligências e aguardam os resultados periciais.
Versão do tenente-coronel
Por sua vez, em depoimento, o oficial afirmou que conheceu Gisele em 2021, por meio de amigos em comum. Posteriormente, o casal oficializou o namoro em 2023 e se casou no ano seguinte.
Ele declarou que assumiu as despesas da casa e contribuiu com os custos da escola da filha da companheira. No entanto, segundo o relato, o relacionamento se tornou conturbado em 2025, quando ele passou a trabalhar no 49º Batalhão.
Além disso, o tenente-coronel afirmou que recebeu denúncias anônimas na Corregedoria da PM que o acusavam de manter um relacionamento extraconjugal. Conforme o depoimento, esses boatos provocaram crises de ciúmes e, consequentemente, intensificaram as discussões. Depois disso, o casal passou a dormir em quartos separados.
Na quarta-feira, por volta das 7h, ele relatou que entrou no quarto da esposa para propor a separação, pois o relacionamento “não estava mais funcionando”. Segundo o oficial, Gisele se exaltou, pediu que ele saísse e bateu a porta.
Em seguida, ele foi tomar banho. De acordo com o depoimento, ele guarda a arma de fogo sobre o armário do quarto onde dorme. Cerca de um minuto após entrar no banheiro, ouviu um barulho que, a princípio, interpretou como porta batendo. Ao sair, encontrou a esposa caída no chão.
Por fim, a Polícia Civil segue com a investigação e aguarda os laudos periciais para esclarecer definitivamente o caso.
