MPES e MPF dão 45 dias para apresentação de soluções sobre mancha no mar de Vitória

MPES e MPF deram prazo de 45 dias para que órgãos apresentem soluções sobre a mancha escura no litoral de Vitória. Coletas apontaram coliformes fecais acima do limite, o que levanta alerta para riscos à saúde.

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- Foto: Fernando Pandolpho

O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o Ministério Público Federal (MPF) definiram prazo de 45 dias para que órgãos responsáveis apresentem soluções estruturais sobre a mancha escura no litoral de Vitória. O grupo de trabalho debateu o caso em reunião realizada nesta quinta-feira (19).

Durante as próximas cinco semanas, equipes técnicas vão coletar amostras e realizar análises laboratoriais. O objetivo é avaliar a balneabilidade da água e identificar possíveis contaminantes. As primeiras coletas ocorrerão neste sábado (21), pela manhã, na região da Guarderia.

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Além disso, os especialistas vão comparar os resultados obtidos em diferentes pontos da Baía de Vitória. Dessa forma, os dados poderão orientar novas medidas para melhorar a qualidade ambiental marinha. Os órgãos envolvidos apresentarão as conclusões em reunião marcada para o dia 23 de abril.

A apuração envolve a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e a Prefeitura de Vitória. O trabalho abrange toda a Baía de Vitória e bacias da Região Metropolitana. Segundo o MPES, caso identifiquem irregularidades, as autoridades irão responsabilizar os envolvidos.

A mancha surgiu no fim de janeiro, nas proximidades da Praia do Canto e da ponte da Ilha do Frade. Por isso, o Ministério Público solicitou explicações à Prefeitura de Vitória, à Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e à Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp).

A Prefeitura de Vitória afirma que a água lançada no mar vem do lençol freático retirado durante obras de macrodrenagem. Conforme a gestão municipal, trata-se de água salobra bombeada para permitir a execução das intervenções. Além disso, o município informa que realiza monitoramento constante para evitar a expansão da mancha.

Por outro lado, a Cesan nega relação do fenômeno com o sistema de coleta e tratamento de esgoto. A companhia aponta como possível causa uma tubulação de drenagem pluvial que conduz a água da chuva até o mar.

Apesar das explicações, um laudo solicitado por vereadores e elaborado pelo laboratório Tomasi Ambiental identificou concentração de coliformes fecais 43 vezes acima do limite permitido. Segundo o oceanógrafo Nélio Augusto Secchin, esses níveis indicam risco de exposição a microrganismos capazes de causar doenças.