
Conhecida principalmente por regular o ciclo do sono, a melatonina também exerce um papel relevante na saúde bucal — um aspecto ainda pouco conhecido fora do meio científico. Segundo a dentista Ilana Marques, o hormônio está presente na saliva e no fluido gengival e atua diretamente na proteção dos tecidos da boca, graças às suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e imunomoduladoras.
De acordo com a especialista, estudos apontam que pessoas com doença periodontal costumam apresentar níveis mais baixos de melatonina salivar quando comparadas a indivíduos com gengivas saudáveis. Para a especialista, essa diferença sugere uma relação direta entre a redução do hormônio na cavidade oral e o aumento da inflamação gengival.
“A diminuição da melatonina pode estar associada tanto ao estresse oxidativo nos tecidos quanto a uma resposta imune exacerbada, comum nos quadros de periodontite”, explica.
Esse desequilíbrio inflamatório compromete a integridade dos tecidos que sustentam os dentes e reforça a importância de ritmos hormonais adequados para a manutenção da saúde bucal. A melatonina, nesse contexto, atua como um elemento regulador, contribuindo para uma resposta inflamatória mais eficiente e para a preservação das estruturas periodontais.
Além de seu papel protetor natural, a melatonina também vem sendo estudada como aliada em tratamentos odontológicos. Segundo Ilana Marques, pesquisas indicam que seu uso como terapia adjuvante, associada aos tratamentos convencionais, pode trazer benefícios importantes. Entre eles estão a redução de marcadores inflamatórios no fluido gengival, a modulação da resposta imune local e o estímulo à regeneração óssea e tecidual, especialmente em casos de doenças periodontais e implantes dentários.
Os efeitos positivos também aparecem nos parâmetros clínicos observados nos consultórios. A dentista destaca a redução da profundidade de sondagem periodontal e a diminuição do sangramento gengival, sinais claros de melhora do quadro inflamatório.
“Os benefícios não se limitam ao controle da inflamação, mas indicam um potencial real da melatonina como coadjuvante no manejo das condições inflamatórias da cavidade oral”, afirma.
Apesar dos resultados promissores, Ilana Marques ressalta que ainda são necessários mais estudos clínicos robustos para consolidar a indicação da melatonina na prática odontológica. Ainda assim, as evidências atuais já apontam para um novo olhar sobre o hormônio: além de garantir noites bem dormidas, ele pode ser um importante aliado na proteção do sorriso.
FONTE: METROPOLES
