
A maioria das vítimas de feminicídio no Brasil nunca denunciou o agressor antes de ser morta. De acordo com dados oficiais, apenas 30,8% das mulheres assassinadas tinham algum registro prévio contra o autor.
No Espírito Santo, o cenário segue a mesma tendência. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, cerca de 70% das vítimas não chegaram a formalizar denúncia.
Fatores emocionais dificultam denúncia
Especialistas apontam que fatores emocionais influenciam diretamente essa decisão. Muitas mulheres, por exemplo, não acreditam que a violência pode evoluir para um crime mais grave.
Além disso, há dificuldade em reconhecer o próprio ciclo de violência. Isso acontece porque, em muitos casos, o agressor mantém uma imagem social positiva, enquanto pratica abusos dentro de casa.
Violência vai além da agressão física
Outro ponto importante envolve a falta de compreensão sobre o que configura violência. Segundo especialistas, agressões psicológicas, patrimoniais e verbais também fazem parte desse cenário.
No entanto, muitas vítimas não identificam esses comportamentos como violência, o que acaba atrasando a denúncia.
Medo e julgamento social também pesam
O medo do julgamento social também aparece como obstáculo relevante. Em muitos casos, as vítimas temem exposição ou acreditam que serão responsabilizadas pelo fim do relacionamento.
Além disso, questões econômicas e emocionais dificultam o rompimento com o agressor.
Estrutura existe, mas ainda enfrenta desafios
No Espírito Santo, o Estado mantém delegacias especializadas e programas de proteção às mulheres. Ainda assim, especialistas apontam falhas na estrutura, principalmente no atendimento contínuo.
Por outro lado, a Secretaria de Segurança destaca que há rede de apoio com encaminhamento social e acompanhamento das vítimas.
Denúncia precoce pode salvar vidas
Especialistas são unânimes: denunciar o quanto antes é fundamental. Isso porque, com informação e ação rápida, é possível evitar a escalada da violência.
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Além disso, denúncias anônimas podem ser feitas pelo 181.










