Líbano denuncia uso de glifosato por Israel e decisão de Trump reacende debate sobre agrotóxico

Substância é a mais utilizada nas lavouras brasileiras e foi classificada pela OMS como provavelmente cancerígena

- Imagem ilustrada e gerada por IA.

O governo do Líbano anunciou que pretende formalizar uma denúncia na Organização das Nações Unidas (ONU) contra Israel. A acusação envolve o suposto uso de substâncias químicas em ataques realizados em áreas rurais na fronteira entre os dois países. Segundo autoridades libanesas, exames laboratoriais identificaram níveis de glifosato entre 20 e 30 vezes acima do permitido. As amostras foram coletadas em solo e água após bombardeios ocorridos em fevereiro deste ano.

Além disso, especialistas e organizações internacionais afirmam que o uso do herbicida teria objetivo militar. Em tese, a aplicação serviria para destruir plantações e a vegetação nativa. Dessa forma, facilitaria a vigilância e ampliaria o controle territorial. Por isso, o governo libanês classificou a prática como “ecocídio”. A avaliação considera que o uso em larga escala compromete a fertilidade do solo. Também afeta a biodiversidade e a subsistência de comunidades agrícolas.

Ao mesmo tempo, a denúncia ocorre em meio à repercussão de uma ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O decreto foi publicado em fevereiro de 2026. A medida define o glifosato e o fósforo elementar como materiais essenciais para a segurança nacional norte-americana. Segundo o governo, a decisão busca garantir a estabilidade da cadeia de produção agrícola. Além disso, pretende assegurar o abastecimento de alimentos. No entanto, movimentos sociais e especialistas alertam para possíveis usos militares dessas substâncias.

Anteriormente, organizações como a Anistia Internacional já haviam denunciado o uso de fósforo branco em conflitos na região. Ainda assim, pesquisadores destacam que herbicidas possuem histórico de utilização em guerras. Por exemplo, durante a Guerra do Vietnã, forças armadas pulverizaram milhões de litros de agentes desfolhantes. Assim, destruíram plantações e facilitaram operações militares em áreas de floresta.

Uso e debate no Brasil

Enquanto isso, o tema reacende discussões no Brasil. Atualmente, o glifosato é o agrotóxico mais utilizado nas lavouras. O produto é comum em culturas como soja e milho. Em 2023, a substância representou cerca de um terço do volume total de pesticidas usados no país. Por esse motivo, entidades de saúde pública e defesa do consumidor protocolaram pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O objetivo é a reavaliação e possível suspensão do produto.

Desde 2015, a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica o glifosato como “provavelmente cancerígeno”. Posteriormente, novos estudos apontaram potenciais impactos ambientais e riscos à saúde humana. Portanto, especialistas passaram a defender regras mais rígidas. Em alguns casos, sugerem até o banimento da substância.

Diante desse cenário, o debate sobre o uso de produtos químicos tende a ganhar força. Sobretudo, em contextos de agricultura intensiva e conflitos armados. Além disso, as discussões regulatórias devem avançar nos próximos meses.