Justiça interroga psicólogo réu por estupro de crianças no ES

Após um ano preso, psicólogo acusado de abusar sexualmente de crianças autistas em clínica de Cariacica será interrogado pela Justiça no Espírito Santo.

Audiência marcada após um ano de prisão

Um ano após a prisão, o psicólogo acusado de abusar sexualmente de crianças autistas durante sessões em uma clínica de Cariacica, na Grande Vitória, vai prestar depoimento à Justiça. A audiência de instrução e julgamento ocorrerá na segunda quinzena deste mês. As autoridades mantêm o nome do réu sob sigilo para proteger as vítimas, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Prisão e andamento do processo

A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) prendeu o suspeito em 20 de fevereiro de 2025, após concluir a investigação. Os policiais o indiciaram por ameaça, oito casos de estupro de vulnerável e dois de aliciamento ou constrangimento de criança para prática de atos libidinosos.

Em seguida, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apresentou denúncia, e a Justiça a recebeu. Com isso, o psicólogo passou à condição de réu. Como o caso envolve menores, o processo tramita em segredo de Justiça. Duas audiências já ouviram vítimas e testemunhas; agora, o juiz vai interrogar o acusado.

Como ocorreram os abusos

As investigações apontam que os crimes ocorreram entre setembro de 2023 e janeiro de 2024. Entre as vítimas estão crianças autistas não verbais, que enfrentam dificuldade ou impossibilidade de comunicação.

Segundo a Polícia Civil, o psicólogo trancava a porta durante os atendimentos prática proibida pela clínica e cobria as câmeras de monitoramento com papel. Ele alegou que fazia isso para descansar ou usar o celular. No entanto, os investigadores descartaram essa versão após analisar imagens que mostraram o uso do aparelho sem necessidade de obstruir as câmeras.

Os policiais localizaram e prenderam o suspeito na zona rural de Bom Jesus do Galho (MG), depois que pais denunciaram o caso e crianças relataram os abusos.

Denúncias e reação da clínica

A primeira denúncia formal surgiu em 4 de janeiro de 2025. Na ocasião, a mãe de uma menina de oito anos, autista de grau 1, relatou abuso durante as sessões. A criança revelou os fatos após a demissão do profissional, que ocorreu em 28 de janeiro.

A clínica informou que desligou o psicólogo após receber reclamações de pais sobre sua conduta e descumprimento de protocolos internos, como trancar portas e cobrir câmeras.

Além disso, mesmo após a demissão, o homem levou uma menina de oito anos irmã de um paciente de dois anos para tomar sorvete. A instituição considerou a atitude inadequada e comunicou os responsáveis. Embora a criança acompanhasse o irmão em sessões, ela não era paciente formal da clínica.

Impacto nas vítimas

Uma das mães relatou mudanças significativas no comportamento do filho após os atendimentos. A criança passou a resistir às sessões e chorava com frequência. Esses sinais reforçaram a suspeita e contribuíram para o avanço das investigações.

Atuação do Conselho de Psicologia

O Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo (CRP-ES) informou que só aplica penalidades, como suspensão ou cassação de registro, após concluir processo disciplinar ético. Além disso, o órgão destacou que prioriza denúncias que envolvem possíveis violações de direitos humanos e acompanha o caso dentro de suas atribuições legais.