Irã vê postura “mais realista” dos EUA antes de nova rodada nuclear

Irã afirmou que os EUA adotaram postura “mais realista” sobre o programa nuclear antes de nova rodada de negociações em Genebra. Mesmo assim, persistem divergências sobre sanções, enriquecimento de urânio e pressão militar.

- Imagem Criada e Ilustrada por IA

O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (16) que percebe uma postura “mais realista” dos Estados Unidos em relação ao programa nuclear iraniano. A declaração ocorre às vésperas da segunda rodada de negociações entre os dois países, marcada para terça-feira (17), em Genebra, na Suíça, com mediação de Omã.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que, após as conversas realizadas em Mascate, ao menos o que foi sinalizado pelos norte-americanos indica mudança de tom. Ainda assim, Teerã mantém cautela diante do histórico recente de tensões.

Embora reconheça avanços diplomáticos, o Irã cobra a revogação das sanções impostas por Washington, que agravam a crise econômica no país. Segundo Baghaei, “o tempo é essencial”, já que a população sofre os efeitos das restrições financeiras e comerciais.

Por outro lado, o governo do presidente Donald Trump mantém pressão militar. Nos últimos meses, os Estados Unidos mobilizaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln e não descartaram uma ação direta contra o território iraniano. Além disso, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que um acordo será “difícil” e classificou os líderes iranianos como radicais.

O principal ponto de conflito envolve o nível de enriquecimento de urânio do Irã. Antes da guerra ocorrida em junho de 2025 — quando Israel lançou ofensiva contra a república islâmica, com apoio norte-americano — o estoque iraniano teria alcançado 60% de enriquecimento. Washington defende reduzir esse índice a zero.

O Irã, por sua vez, insiste que o programa nuclear possui fins pacíficos e afirma estar disposto a se submeter a inspeções internacionais para comprovar isso. Nesta segunda-feira, o chanceler Abbas Araqchi se reuniu com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. Ambos classificaram o encontro como “aprofundado” e produtivo.

Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que qualquer acordo deve exigir a retirada total do material enriquecido do território iraniano e o desmantelamento da infraestrutura nuclear.

Diante desse cenário, a nova rodada de negociações ocorre sob clima de expectativa, mas também de forte pressão política e militar.