
A sede da Macapá Previdência (MacapáPrev) sofreu uma invasão na madrugada de sábado (14/3), em Macapá. Diante da situação, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o roubo de computadores, processos administrativos e imagens das câmeras de segurança. Além disso, investigadores trabalham com a suspeita de que a ação possa ter sido uma tentativa de “queima de arquivo”.
Segundo o boletim de ocorrência, ao qual o portal Metrópoles teve acesso, funcionários identificaram o crime na tarde de sábado, pouco antes do início do atendimento aos servidores municipais que buscavam a concessão de benefícios previdenciários. Logo depois, peritos analisaram o local e a polícia manteve as investigações sob sigilo.
Mudanças na gestão municipal
O caso ocorreu poucas semanas após mudanças na gestão municipal. A Justiça afastou o então prefeito Dr. Furlan (PSD), que posteriormente decidiu renunciar ao cargo. Ao mesmo tempo, a decisão também afastou o vice-prefeito Mario Neto (Podemos). Com isso, o presidente da Câmara Municipal, Pedro Dalua (União Brasil), assumiu interinamente o comando da prefeitura.
Além disso, a mudança política também alterou a direção da MacapáPrev. A então presidente do órgão, Janayna Gomes da Silva Ramos, pediu exoneração em março, um dia após a renúncia de Furlan.
Detalhes da invasão
As primeiras apurações indicam que os responsáveis pela ação não arrombaram a parte externa do prédio. Ainda durante a invasão, eles interromperam todos os sistemas de comunicação. Conforme informações obtidas pela reportagem, os criminosos levaram os notebooks do ex-diretor financeiro Fabiano Gemaque Valente de Andrade e da ex-chefe de gabinete da Presidência, Karyna Santos Ramos. Posteriormente, ambos também pediram exoneração após a saída de Furlan da prefeitura.
Suspeita de rombo milionário
O caso também ocorre em meio a questionamentos do Ministério da Previdência Social ao Tribunal de Contas do Estado do Amapá sobre um possível rombo de R$ 221 milhões na MacapáPrev. De acordo com os dados analisados, o caixa do instituto caiu de R$ 176,8 milhões para R$ 39 milhões em cerca de dois anos. Atualmente, os recursos disponíveis somam pouco mais de R$ 31 milhões.
Além disso, fontes da Secretaria de Segurança Pública do Amapá, ouvidas sob condição de anonimato, afirmam que os investigadores analisam a possibilidade de destruição de provas relacionadas a irregularidades na gestão previdenciária do município. Nesse contexto, o fato de os computadores do setor financeiro terem sido o principal alvo da ação chamou a atenção das autoridades.
Comissão processante e investigação
Na última quinta-feira (12/03), a Câmara Municipal de Macapá aprovou a abertura de uma comissão processante para investigar o vice-prefeito e a administração da MacapáPrev.
Ao mesmo tempo, a crise política ocorre paralelamente à segunda fase da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro relacionados à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Operação Paroxismo
Dentro dessa operação, o Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento do prefeito e do vice-prefeito da cidade. Além disso, a Corte autorizou o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá (AP), Belém e Natal. A decisão também afastou outros servidores públicos por 60 dias.
No dia seguinte ao afastamento, Dr. Furlan renunciou ao cargo e anunciou que pretende disputar o governo do Amapá nas eleições deste ano. Segundo pesquisa divulgada em 10 de fevereiro pelo instituto Real Time Big Data, ele aparece com 66% das intenções de voto. Enquanto isso, o atual governador, Clécio Luís (União Brasil), registra 29%.










