HPV pode atingir boca e garganta e exige atenção à prevenção

Vírus pode ser transmitido pelo contato íntimo e causar lesões na cavidade oral e na garganta; vacinação, uso de preservativos e acompanhamento médico ajudam na prevenção.

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- Imagem: Freepik

Quando se fala em vacina contra o HPV, muitas pessoas ainda associam a proteção apenas ao câncer do colo do útero. No entanto, especialistas alertam que o vírus também atinge a boca e a garganta. Por isso, a infecção pode provocar lesões e até favorecer o surgimento do câncer de orofaringe.

O Papilomavírus Humano (HPV) representa uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. De modo geral, grande parte da população entra em contato com o vírus ao longo da vida. Na maioria das situações, o próprio organismo elimina a infecção. Ainda assim, em alguns casos, o vírus permanece no corpo e provoca alterações nas células. Como consequência, essas mudanças podem evoluir para doenças mais graves.

Lesões surgem de forma silenciosa

Na cavidade oral, o HPV provoca pequenas lesões que, muitas vezes, passam despercebidas. Entre as manifestações mais frequentes, destacam-se os papilomas, que aparecem como elevações semelhantes a verrugas na mucosa. Além disso, essas alterações podem surgir na língua, no céu da boca ou na região da garganta.

Embora muitas lesões apresentem caráter benigno, alguns tipos do vírus aumentam o risco de câncer. Nos últimos anos, pesquisadores observaram crescimento nos casos de câncer de orofaringe relacionados ao HPV. A doença atinge áreas como a base da língua, as amígdalas e a parte posterior da garganta.

Além disso, o problema costuma evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais. Dessa forma, a prevenção e o diagnóstico precoce ganham ainda mais importância.

Vacinação reduz riscos

A vacinação contra o HPV figura entre as principais estratégias para reduzir a infecção pelos tipos mais perigosos do vírus. Diversos estudos internacionais comprovam a eficácia dessa medida.

Na Suécia, por exemplo, pesquisadores acompanharam milhares de mulheres durante vários anos. Como resultado, identificaram redução de cerca de 87% no risco de câncer do colo do útero entre aquelas que receberam a vacina ainda na adolescência. Além disso, o país registrou queda expressiva nas lesões precursoras da doença.

Da mesma forma, estudos realizados na Dinamarca apontaram redução de até 86% nos casos de câncer cervical em mulheres vacinadas precocemente. Já na Austrália, que mantém alta cobertura vacinal, especialistas projetam um cenário ainda mais positivo. Com a combinação entre vacinação em massa e programas de rastreamento, o país pode praticamente eliminar o câncer de colo do útero nas próximas décadas.

Acesso gratuito no Brasil

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o HPV gratuitamente para meninas e meninos entre 9 e 14 anos. Nessa fase, o organismo responde melhor à imunização. Além disso, a aplicação antes do início da vida sexual amplia a proteção, já que o vírus se transmite principalmente por meio do contato íntimo.

Ao mesmo tempo, o acompanhamento regular com profissionais de saúde contribui para a prevenção. O cirurgião-dentista, por exemplo, observa a mucosa oral durante consultas de rotina e identifica alterações precoces. Assim, o diagnóstico ocorre mais rapidamente e aumenta as chances de tratamento eficaz.

Por fim, especialistas reforçam que a informação desempenha papel fundamental na prevenção. Falar sobre o HPV de forma clara reduz preconceitos e incentiva a adesão às medidas de proteção.

Vacinar crianças e adolescentes hoje representa, portanto, um investimento direto na saúde do futuro. Dessa maneira, é possível prevenir doenças graves, inclusive alguns tipos de câncer que atingem não apenas o sistema reprodutor, mas também a boca e a garganta.

Cuidar da saúde bucal, nesse contexto, significa olhar para o bem-estar do corpo como um todo. Assim, a vacina contra o HPV se consolida como uma aliada importante na construção de uma vida mais saudável.