A Polícia Civil do Paraná prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (19), Martônio Alves Batista, de 55 anos, em Londrina, no norte do estado. A prisão ocorreu após a corporação reabrir o caso do assassinato de Giovanna dos Reis Costa, morta em 2006, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba.
Inicialmente investigado à época do crime, Martônio voltou ao centro das apurações depois que uma ex-enteada procurou a polícia. Segundo a delegada Camila Cecconello, a jovem relatou que sofreu abusos dos 11 aos 14 anos. Além disso, afirmou que o suspeito fazia ameaças constantes e citava o nome de Giovanna para intimidá-la.
De acordo com o depoimento, ele dizia que já havia feito mal a uma menina chamada Giovanna e que ela poderia ser a próxima. A partir dessas declarações, os investigadores retomaram diligências e cruzaram informações antigas com novos relatos.
Enquanto aprofundava a apuração, a polícia também ouviu ex-companheiras do suspeito. Nesse contexto, uma delas afirmou que ele confessou detalhes do crime, os quais, conforme a delegada, coincidem com os laudos periciais produzidos em 2006.
O crime
Giovanna desapareceu em 10 de abril de 2006, quando vendia rifas escolares perto de casa. Dois dias depois, moradores encontraram o corpo em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. Além disso, a perícia identificou sinais extremos de violência sexual.
Posteriormente, os exames confirmaram morte por asfixia mecânica. As roupas da criança apareceram em outro terreno, o que, desde então, levantou suspeitas de tentativa de despistar as investigações.
Na época, Martônio figurou como um dos principais suspeitos por ser vizinho da família. Entretanto, apesar dos indícios encontrados na residência dele como um fio semelhante ao utilizado no crime a Justiça não decretou prisão. Assim, a investigação seguiu outras linhas e, anos depois, inocentou outros suspeitos.
Indícios reforçados
Conforme relatado pela delegada, no dia do desaparecimento, policiais encontraram um colchão com mancha de urina na casa do suspeito. Contudo, quando retornaram com a perícia, o objeto havia desaparecido e o imóvel estava lavado com água sanitária.
Além disso, o histórico criminal de Martônio passou a pesar na nova decisão judicial. Em 2018, por exemplo, ele foi preso por instalar câmeras no banheiro feminino da pastelaria que possuía em Londrina. Depois, obteve liberdade.
Diante do conjunto de relatos e dos elementos reunidos, a Justiça decretou a prisão preventiva. Martônio permaneceu em silêncio durante o depoimento e agora responde por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável.
Defesa
Por outro lado, o advogado Eduardo Caldeira informou que ainda não teve acesso aos autos do processo. Segundo ele, qualquer manifestação detalhada seria precipitada neste momento.
Em nota, o defensor ressaltou que o cliente tem direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. Assim que obtiver acesso oficial aos documentos, afirmou que adotará as medidas judiciais cabíveis.
