
Israel iniciou, nesta terça-feira (3), uma ofensiva terrestre no sul do Líbano e ampliou a guerra que já mobiliza Estados Unidos e Irã. Com isso, o conflito entra no quarto dia e passa a registrar confrontos simultâneos por terra e pelo ar.
Tropas israelenses avançaram pelas planícies de Kfarkila e Khiam. Segundo uma fonte militar, o objetivo é estabelecer um “perímetro de segurança” após ataques do Hezbollah. Ao mesmo tempo, a força aérea de Israel intensificou bombardeios contra alvos considerados estratégicos no território iraniano.
Bombardeios atingem Teerã
Em Teerã, explosões atingiram prédios ligados à presidência, ao Conselho Supremo de Segurança Nacional e a estruturas de comunicação estatal. Além disso, o histórico Palácio de Golestan sofreu danos colaterais após ataques nas proximidades da Praça Arag.
De acordo com o Crescente Vermelho iraniano, os bombardeios conjuntos de Washington e Tel Aviv já deixaram mais de 780 mortos desde sábado (1º). No Líbano, autoridades locais relatam pelo menos 52 mortos e cerca de 30 mil pessoas deslocadas diante da intensificação dos confrontos.
Retaliação e tensão no Golfo
Em resposta, o Irã lançou drones e mísseis contra alvos americanos e aliados no Golfo. Dois drones atingiram a embaixada dos Estados Unidos em Riade, provocaram incêndios e forçaram o fechamento da representação diplomática.
Além disso, bases militares e centros de dados na região também foram atacados. A Guarda Revolucionária anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.
Como consequência, o mercado reagiu imediatamente. O barril do petróleo Brent subiu quase 9% e ultrapassou US$ 85, maior valor desde julho de 2024. Da mesma forma, o preço do gás natural disparou após a QatarEnergy suspender parte da produção.
Justificativas e críticas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ofensiva como preventiva e afirmou que a ação busca impedir o desenvolvimento de armas nucleares e mísseis capazes de atingir território americano.
Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a operação tem como meta neutralizar bunkers subterrâneos e conter o avanço do programa nuclear iraniano.
Entretanto, parlamentares democratas questionam a decisão da Casa Branca. Segundo eles, o governo não apresentou evidências claras de ameaça iminente que justificassem o ataque sem autorização formal do Congresso, o que reacende o debate sobre os limites da Resolução dos Poderes de Guerra.
Alerta internacional
Diante da escalada, os Estados Unidos recomendaram que seus cidadãos deixem 14 países do Oriente Médio. Enquanto isso, a União Europeia manifestou preocupação com um possível fluxo migratório em larga escala a partir do Irã, país com cerca de 90 milhões de habitantes.
Relatos da agência AFP descrevem Teerã como uma “cidade fantasma”, com explosões constantes e restrições severas. Paralelamente, o governo iraniano proibiu a exportação de alimentos para garantir o abastecimento interno durante o conflito.
Com operações militares em múltiplas frentes — do sul do Líbano ao interior do Irã e ao Golfo Pérsico — o cenário segue instável. Autoridades dos dois lados indicam que os confrontos podem se estender por semanas ou até meses, o que amplia o risco de uma crise internacional de grandes proporções.
