Guerra no Irã pressiona mercado e petróleo pode atingir US$ 100

Conflito no Irã faz petróleo disparar 10%, acende alerta sobre o Estreito de Ormuz e amplia projeções de barril a US$ 100.

O petróleo sobe com conflito no Irã e já pressiona o mercado internacional. Neste domingo (1º), o Brent avançou cerca de 10% no mercado de balcão e alcançou aproximadamente US$ 80 por barril. Além disso, analistas passaram a projetar que a cotação pode chegar a US$ 100 caso a tensão no Oriente Médio aumente.

Na sexta-feira (28), antes dos ataques, o Brent fechou a US$ 73 por barril, o maior nível desde julho. No entanto, após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o mercado reagiu com forte volatilidade.


Petróleo sobe com conflito no Irã por risco no Estreito de Ormuz

O motivo central da alta é o temor de bloqueio no Estreito de Ormuz. Atualmente, mais de 20% do petróleo consumido no mundo passa por essa rota estratégica.

Segundo Ajay Parmar, diretor de energia da ICIS, o fechamento do estreito é o fator decisivo para a escalada dos preços. Além disso, após alertas emitidos por Teerã, armadores e grandes companhias suspenderam o transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pela região.

Caso a interrupção se prolongue, o barril pode se aproximar de US$ 100 já na reabertura do mercado futuro. Portanto, investidores acompanham o cenário com cautela.


Projeções indicam que petróleo sobe com conflito no Irã

Diversas instituições revisaram suas estimativas. Helima Croft, do RBC, afirmou que uma guerra aberta pode levar o barril a superar US$ 100. Por outro lado, o Rabobank projeta preços acima de US$ 90 no curto prazo, embora com visão menos altista.

A consultoria Rystad também alerta para risco elevado. De acordo com o economista Jorge Leon, um eventual fechamento do Estreito de Ormuz pode retirar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia da oferta global. Mesmo com rotas alternativas, o impacto seria relevante.

Nesse cenário, a Rystad estima que o Brent possa subir até US$ 92 por barril na reabertura.


Opep+ eleva produção, mas impacto é limitado

Em meio à crise, a Opep+ decidiu elevar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril. Entretanto, esse volume representa menos de 0,2% da demanda global. Assim, o efeito tende a ser limitado no curto prazo.

Paralelamente, governos asiáticos já revisam estoques estratégicos. Segundo analistas da Kpler, a Índia pode ampliar a compra de petróleo russo para compensar eventual redução do fornecimento do Oriente Médio.


Impactos para o Brasil

Com o petróleo em alta, combustíveis podem sofrer pressão nos próximos dias. Por isso, o mercado interno acompanha os desdobramentos com atenção.