
Enquanto algumas pessoas adoram abraçar seus gatos, muitos felinos não apreciam esse tipo de contato. Celebrado nesta quinta-feira (4), o Dia de Abraçar seu Gato reacendeu uma dúvida comum entre tutores: afinal, gatos gostam de colo e abraços?
Segundo especialistas, a resposta varia conforme a personalidade, a socialização e as experiências vividas por cada animal.
Nem todo gato gosta de colo
De acordo com a médica veterinária Juliana Lamêgo de Carvalho, a tolerância ao toque é altamente individual entre os felinos.
Alguns gatos aceitam colo e contato físico com facilidade. Outros, porém, preferem demonstrar afeto de maneiras mais discretas e sem restrição de movimentos.
“Muitos não apreciam o colo porque isso restringe seus movimentos e reduz sua sensação de controle sobre o ambiente, algo muito importante para a espécie felina”, explicou a veterinária.
Além disso, Juliana afirma que a personalidade costuma pesar mais do que a genética. Apesar de algumas raças serem conhecidas pelo comportamento sociável, cada gato reage de forma diferente ao contato físico.
Por isso, um gato sem raça definida pode ser extremamente carinhoso, enquanto um felino de raça considerada dócil pode rejeitar abraços e colo.
Aceitar colo não significa mais amor
A veterinária também destaca que aceitar colo não representa, necessariamente, um vínculo afetivo maior com o tutor.
Segundo ela, muitos gatos demonstram forte apego mesmo sem gostar de ser carregados.
“Muitos gatos possuem forte apego aos seus tutores, buscam companhia constantemente e demonstram afeto de diversas maneiras, mas simplesmente não gostam de ser carregados ou contidos fisicamente”, afirmou.
Como saber se o gato está confortável
Especialistas orientam que observar a linguagem corporal é a melhor forma de entender o que o gato sente durante uma interação.
Entre os principais sinais de conforto estão:
- Corpo relaxado;
- Orelhas voltadas para frente;
- Olhos semicerrados;
- Piscadas lentas;
- Ronronar;
- Permanecer próximo do tutor;
- Esfregar o rosto ou o corpo na pessoa.
Por outro lado, alguns sinais indicam desconforto e necessidade de interromper o contato.
Sinais de que o gato não quer carinho
Os principais comportamentos de alerta incluem:
- Rigidez corporal;
- Tentativas de fuga;
- Cauda agitada rapidamente;
- Pupilas dilatadas;
- Orelhas achatadas;
- Pelos eriçados;
- Rosnados;
- Sibilações.
Segundo Juliana, insistir em abraços e carinhos mesmo diante desses sinais pode aumentar o estresse do animal e prejudicar a relação com o tutor.
Gatos demonstram carinho de forma diferente
Ao contrário dos cães, os gatos costumam demonstrar afeto de maneira mais sutil.
Entre os comportamentos mais comuns estão:
- Dormir próximo ao tutor;
- Seguir a pessoa pela casa;
- Fazer “pãozinho” com as patas;
- Ronronar;
- Procurar companhia;
- Trazer brinquedos;
- Esfregar a cabeça nas pessoas.
A universitária Maria Eduarda Chaves Soares, de 20 anos, convive com dois gatos de personalidades diferentes e percebe essas características no dia a dia.
Segundo ela, a gata Lili não gosta de colo e prefere carinho apenas em momentos específicos. Já o gato Milk aceita mais contato físico e busca atenção com frequência.
“A Lili gosta de carinho na cabeça, mas não deixa fazer carinho na barriga. Já o Milk gosta muito mais de colo e costuma se esfregar nas pernas das pessoas”, contou.
Respeitar os limites fortalece a relação
Especialistas recomendam permitir que o próprio gato controle a interação.
A orientação inclui deixar o animal se aproximar espontaneamente, oferecer a mão antes do contato e concentrar os carinhos em regiões mais apreciadas, como cabeça, bochechas e base das orelhas.
Além disso, os veterinários reforçam que interromper a interação ao primeiro sinal de desconforto ajuda a fortalecer a confiança entre tutor e animal.
“Respeitar a autonomia do gato é um dos fatores mais importantes para promover bem-estar e reduzir o estresse”, destacou Juliana.
No Dia de Abraçar seu Gato, a principal recomendação dos especialistas é simples: mais importante do que abraçar é compreender os limites e a forma única que cada felino tem de demonstrar carinho.












