Gasolina fica 16% mais barata na refinaria e 37% mais cara nos postos

Preço médio da gasolina nos postos do Brasil é de R$ 6,33 por litro

Foto: Paulo Liebert/Estadão Conteúdo -

Desde dezembro de 2022, a redução de 16,4% no preço da gasolina vendida às distribuidoras — de R$ 3,08 para R$ 2,57 — não se refletiu em alívio para os consumidores. No mesmo período, o valor médio do litro nos postos subiu 37,1%, passando de R$ 4,98 para R$ 6,33.

O que explica a diferença é a dinâmica da formação de preços. Desde dezembro de 2022, a Petrobras cortou R$ 0,51 no preço da gasolina nas refinarias, após 11 reajustes: oito reduções e três aumentos. O corte mais recente, anunciado na semana passada, reduziu em R$ 0,14 (-5,17%) o valor do combustível para as distribuidoras.

Apesar disso, a queda nas refinarias não chegou ao bolso dos motoristas. Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram que o preço médio do litro nos postos avançou R$ 1,35 desde o fim de 2022. Com isso, o custo para encher um tanque de 50 litros aumentou cerca de R$ 67,50 em três anos — podendo ser maior, a depender do posto. Na última semana, o preço máximo registrado no país chegou a R$ 9,29 por litro, em postos de Barueri e Guarujá, em São Paulo.

A Petrobras responde por menos de um terço do preço final da gasolina, com participação de 28,4%. O valor pago pelo consumidor inclui ainda a mistura com etanol (16,4%), impostos federais (10,7%) e estaduais (24,8%), além das margens de distribuição e revenda (19,6%). “Desde a tributação até chegar ao posto, há uma cadeia que envolve logística, custos operacionais e características regionais que influenciam os preços”, afirma Renato Mascarenhas, diretor da Edenred Mobilidade.

Especialistas apontam que custos adicionais ao longo da cadeia produtiva dificultam a queda do preço nas bombas. “Mudanças tributárias e a valorização do etanol contribuíram para a alta do valor final da gasolina nos postos”, explica Ricardo Hammoud, professor do Ibmec-SP. Entre os fatores, o aumento do ICMS em R$ 0,10 por litro teve impacto imediato, por se tratar de uma alíquota fixa aplicada em todo o país.

“Quando o ICMS aumenta, como aconteceu no último mês, o impacto é direto e também mais rapidamente sentido nas bombas, independentemente dos valores praticados nas refinarias. […] Mesmo em momentos de alívio na origem, a carga tributária pode diminuir ou até neutralizar esse efeito para o consumidor a curto prazo”

Renato Mascarenhas