Fone de ouvido e celular: como proteger a audição dos jovens no dia a dia

Especialista alerta para riscos do uso prolongado e em volume alto e dá orientações simples para preservar a audição desde cedo

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O uso constante de fones de ouvido e celulares faz parte da rotina de crianças e adolescentes, especialmente no ambiente escolar, no lazer e nos deslocamentos do dia a dia. Embora a tecnologia traga benefícios, o hábito de ouvir música em volume elevado e por longos períodos acende um alerta importante para a saúde auditiva dos jovens — um cuidado que deve começar cedo.

Segundo o otorrinolaringologista Dr. José Ricardo Gurgel Testa, médico do Hospital Paulista e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o uso inadequado de fones pode, sim, provocar danos permanentes à audição. “A exposição a sons acima de 80 decibéis, especialmente quando ocorre por períodos prolongados e sem repouso acústico, aumenta significativamente o risco de perda auditiva induzida por ruído”, explica.

Volume alto e tempo excessivo aumentam o risco

De acordo com o especialista, não é apenas o volume que importa, mas a combinação entre intensidade e tempo de exposição. “Mesmo volumes considerados moderados podem se tornar prejudiciais quando utilizados por muitas horas seguidas. O ideal é evitar sons acima de 80 dB e não ultrapassar cerca de quatro horas contínuas de uso sem intervalos para descanso da audição”, orienta.

Esse cuidado é ainda mais relevante entre jovens, cujo sistema auditivo permanece em desenvolvimento e tende a ser mais vulnerável aos efeitos cumulativos do ruído ao longo dos anos.

Sinais de alerta merecem atenção

Pais, educadores e os próprios jovens devem estar atentos a sinais que podem indicar alterações auditivas precoces. Entre eles estão dificuldade de atenção, necessidade frequente de repetir informações ou confusão ao compreender mensagens transmitidas oralmente, além da presença de zumbido.

“Esses sinais não devem ser ignorados. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de evitar a progressão de uma perda auditiva”, destaca Dr. Testa.

Prevenção começa com hábitos simples

A boa notícia é que atitudes cotidianas podem fazer grande diferença na preservação da audição. O médico recomenda evitar o abuso de sons elevados, reduzir o tempo de uso de fones e respeitar pausas regulares para descanso auditivo. “Outro ponto importante é evitar a exposição a agentes ototóxicos, que podem causar ou agravar danos à audição”, acrescenta.

No ambiente escolar e em casa, a orientação é estimular o uso consciente da tecnologia, reforçando que ouvir música em volume máximo não é sinônimo de melhor experiência sonora — e pode custar caro no futuro.

“Iniciar esse cuidado ainda na infância e na adolescência é essencial. A audição saudável é um patrimônio para toda a vida”, conclui o especialista.