Feijão atinge recorde histórico de preços em fevereiro

Indicador CNA/Cepea aponta recorde histórico nos preços do feijão carioca, impulsionado pela escassez de oferta e atrasos na colheita.

O mercado de feijão iniciou fevereiro com uma forte tendência de alta, consolidando o movimento de valorização iniciado em janeiro. De acordo com o indicador CNA/Cepea, os preços médios do feijão carioca atingiram os maiores patamares da série histórica (iniciada em setembro de 2024), impulsionados pela escassez de oferta e pela postura estratégica dos produtores.

Fatores que Sustentam a Alta

A elevação dos preços é explicada por uma combinação de fatores climáticos e logísticos que restringiram a disponibilidade do grão nas principais regiões produtoras do país:

  • Fim da Colheita no Sul: O encerramento das atividades no Paraná reduziu o volume de produto novo no mercado.
  • Clima no Cerrado: Chuvas intensas em Goiás e Minas Gerais atrasaram a colheita, limitando a entrada de novos lotes.
  • Retenção de Estoques: Produtores, atentos à valorização, demonstram menor interesse em negociar no momento, aguardando picos ainda maiores.
  • Cautela da Indústria: Compradores operam com cautela, avaliando até que ponto o consumidor final suportará o repasse de preços no varejo.

Análise por Tipo de Grão

Feijão Carioca (Nota 9 ou superior)

É o grão mais valorizado e raro no momento. A maior alta semanal ocorreu no Leste Goiano (12,6%), onde o excesso de chuva impediu o avanço das máquinas. Outras regiões como o Noroeste de Minas, Curitiba (PR) e Itapeva (SP) também enfrentam falta de lotes de alta qualidade.

Feijão Carioca (Notas 8,0 e 8,5)

Este segmento registrou os avanços mais expressivos. Em São Paulo (capital), a elevação chegou a 17,5%, impulsionada pela demanda por lotes nota 8,5 (de coloração mais clara). Em Goiás, as altas superaram 14%, sustentadas pela baixa oferta de produto novo.

Feijão Preto (Tipo 1)

Embora o abastecimento esteja mais confortável que o do carioca, os preços atingiram os maiores níveis desde março de 2025.

  • Metade Sul (RS): Alta de 3,5% com o fim da colheita paranaense.
  • Curitiba (PR): Única região com leve recuo (1,6%), devido à migração da preferência dos compradores para o feijão carioca.

Resumo das Maiores Altas Semanais

Região / TipoVariedadeVariação (%)Motivo Principal
São Paulo (SP)Carioca (8.5)+ 17,5%Escassez de lotes claros.
Leste Goiano (GO)Carioca (9+)+ 12,6%Atraso na colheita por chuvas.
Sul Goiano (GO)Carioca (8.0)+ 14,0%Baixa oferta de produto novo.
Metade Sul (RS)Preto (Tipo 1)+ 3,5%Encerramento da safra no PR.

O cenário para as próximas semanas dependerá da melhora das condições climáticas no Centro-Oeste para que a colheita seja normalizada e o fluxo de abastecimento estabilizado.

FONTE: CNA BRASIL