
Escondido no extremo sul do Brasil, em plena fronteira com a Argentina e perto de Santa Catarina, o Salto Yucumã surpreende até quem já viu muitas cachoeiras por aí. Em vez de despencar em queda livre como nas paisagens mais famosas, o rio Uruguai simplesmente se abre ao lado da terra, formando uma imensa fenda barulhenta, poderosa e pouco conhecida do grande público.
O que torna essa cachoeira tão diferente das demais?
O Salto Yucumã é considerado a maior cachoeira longitudinal do mundo, ou seja, não se destaca pela altura, mas pelo comprimento da queda d’água. São cerca de 1,8 km de extensão, com uma média de 20 metros de altura, criando um corte contínuo no leito do rio que acompanha a paisagem como se fosse uma cicatriz aberta na terra.
Em vez de um único paredão, a água avança em linha quase infinita, sempre em paralelo à margem. O efeito visual é de uma cachoeira que parece não ter fim de um lado e que, do outro, vai se misturando novamente ao curso do rio, até desaparecer suavemente e voltar a fluir como se nada tivesse acontecido.

Como é a experiência de chegar até o local?
Para alcançar o Salto Yucumã, o visitante entra no Parque Estadual do Turvo, no Rio Grande do Sul, em uma estrada cercada por mata fechada por cerca de 15 km. A impressão é de estar atravessando um túnel verde, com árvores altas, vegetação densa e uma sensação constante de isolamento típico de áreas ainda bem preservadas.
O acesso é pago e os valores ajudam a manter a estrutura básica do parque: a entrada custa em torno de R$ 80, com estacionamento por volta de R$ 20. Depois de estacionar, ainda há uma trilha de aproximadamente 500 a 600 metros até o mirante principal da cachoeira, que pode ser feita a pé ou em um carrinho elétrico já incluído em alguns passeios internos.
Quais passeios e atividades podem ser feitos no parque?
Além de observar o salto do mirante, o local oferece opções de passeios que aproximam ainda mais da natureza e do rio. Os visitantes encontram uma pequena estrutura com lanchonete e, a partir dali, podem escolher experiências que vão desde caminhadas simples até aventuras mais intensas na água.
Entre as atividades mais procuradas estão:
- Passeio da onça: um roteiro dentro do parque, cobrado à parte, por cerca de R$ 20, que explora áreas de mata ainda mais fechada, onde a fauna costuma ser mais ativa.
- Passeio de barco: tipo “macuco safari”, chegando bem próximo às corredeiras e ao paredão do salto, com valor em torno de R$ 250, ideal para quem quer sentir a força da água bem de perto.
- Carrinho elétrico: transporte opcional para quem prefere não fazer a trilha a pé, cobrindo o percurso entre o estacionamento e o mirante com mais conforto.
- Mirante principal: ponto fixo de observação com vista ampla da cachoeira, permitindo ver o rio se abrindo em linha e a mata densa se estendendo atrás das quedas.
Por que a cachoeira muda tanto de aparência ao longo do ano?
Uma das curiosidades mais marcantes do Salto Yucumã é que ele não aparece da mesma forma em todas as épocas. Em períodos de seca, o salto surge quase completo, revelando a dimensão real da fenda e a continuidade da queda d’água por quase 2 km. Nessas fases, o contraste entre rochas expostas, espuma branca e mata verde fica ainda mais nítido.
Nas cheias, porém, o rio sobe tanto que o salto pode praticamente desaparecer, transformando o que antes era uma cachoeira em um grande alagado contínuo. Por isso, quem chega ao parque costuma receber a recomendação de ir direto ao mirante, já que, em questão de h oras, o nível da água pode subir e cobrir boa parte das quedas, mudando totalmente o visual. O nome “Yucumã” vem do guarani e significa algo como “grande ronco”, referência ao som profundo e contínuo da água batendo nas rochas.
FONTE: ANTAGONISTA
