Ex-aluna da USP, responsável por desviar R$ 937 mil de formatura, recebe nova condenação

Ex-aluna da USP foi condenada por dar um golpe na lotérica onde tentou recuperar o dinheiro perdido e pode pegar 3 anos de prisão

Foto: Divulgação/USP -

A Justiça de São Paulo condenou novamente a ex-aluna de medicina da Universidade de São Paulo (USP), Alicia Dudy Muller Veiga, por desviar R$ 937 mil arrecadados pela comissão de formatura de sua turma. Segundo o tribunal, ela aplicou um golpe em uma lotérica para tentar recuperar parte do dinheiro perdido. Além disso, pode cumprir até três anos de prisão em regime semiaberto.

Em 2023, Alicia presidia a comissão de formatura e transferiu a quantia arrecadada para sua conta pessoal sem o consentimento dos colegas. Em depoimento, alegou que retirou o dinheiro por desconfiança da empresa responsável pela administração dos fundos. Entretanto, a polícia confirmou que parte do valor foi usada para despesas pessoais.

A ex-aluna já havia sido condenada por estelionato, recebendo pena de cinco anos em regime semiaberto e obrigação de indenizar as vítimas pelo prejuízo causado. Ela recorreu da decisão, que ainda não teve julgamento final e tramita sob sigilo.

O novo episódio envolve um golpe em uma lotérica, quando Alicia solicitou R$ 891,5 mil em bilhetes da Lotofácil, planejando pagar com um Pix agendado, o que não é permitido. Durante a tentativa, discutiu com os funcionários e acabou desistindo das apostas. No entanto, os funcionários já haviam registrado apostas no valor de R$ 193 mil. Alicia saiu do local levando os bilhetes sem pagar. Segundo o dono da lotérica, Alicia era cliente frequente desde abril. Realizava apostas altas, na faixa de R$ 10 mil quase diariamente. Isso lhe dava confiança junto aos funcionários.

Com a nova condenação por estelionato, Alicia pode cumprir três anos em regime semiaberto e deve ressarcir R$ 192.908,47, valor que será corrigido e acrescido de juros. Ela ainda pode recorrer da sentença.

Apesar das condenações, Alicia conseguiu registrar-se como médica e atualmente atua como membro ativo do Conselho Federal de Medicina.

Procurada, a defesa da ex-aluna, representada pelo advogado Sergio Giolo, informou que recorrerá da decisão. “No momento, não é adequado comentar o mérito da acusação, especialmente porque há recursos pendentes e medidas em curso perante instâncias superiores, que discutem nulidades relevantes do processo. Eventuais manifestações públicas serão feitas no tempo e no foro apropriados, com respeito ao devido processo legal e à ampla defesa”, afirmou o advogado.