Estudante assassinada com mais de 100 facadas havia denunciado namorado

Meses antes do crime, suspeito teria dito a Letícia que ela "não saberia do que ele era capaz"; jovem dizia que sofria com ameaças por parte dele

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- Letícia estudava medicina na Faculdade de Medicina de Barbacena. • Reprodução/Redes sociais

A estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, encontrada morta com mais de 100 perfurações no último sábado (27), em Barbacena, Minas Gerais, já havia denunciado o namorado por ameaças e comportamento possessivo meses antes do crime. Gustavo Dutra Lima, preso como principal suspeito do feminicídio, era alvo de um boletim de ocorrência registrado pela vítima em fevereiro deste ano.

No documento, Letícia relatou episódios frequentes de ciúmes, ameaças e intimidações durante o relacionamento, que durava cerca de três anos. Segundo a estudante, as discussões se tornaram constantes por causa do comportamento agressivo do companheiro.

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O caso ganhou ainda mais repercussão após a Justiça converter a prisão em flagrante do suspeito em prisão preventiva.

Vítima relatou ameaças à polícia

De acordo com o boletim de ocorrência, Gustavo chegou a dizer que Letícia “não saberia do que ele era capaz”. Durante uma das discussões, ele ainda simulou apontar uma arma para a própria cabeça em tom de intimidação.

Em depoimento à polícia, a estudante afirmou que o namorado também fazia ameaças contra ela e contra amigos próximos.

Além disso, Letícia contou que, durante uma briga, pediu para Gustavo deixar o apartamento. No entanto, ele se recusou a sair. Com medo, ela decidiu procurar uma delegacia para registrar a ocorrência.

Corpo apresentava mais de 100 perfurações

Letícia foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, em Barbacena, no dia 27 de junho.

Informações preliminares da investigação apontam que os peritos identificaram pelo menos 130 lesões no corpo da estudante, entre perfurações provocadas por arma branca e outros ferimentos superficiais.

Segundo testemunhas, Letícia e Gustavo participaram de uma festa na noite anterior ao crime. Depois do evento, os dois seguiram para o apartamento da jovem.

A vítima respondeu mensagens por volta das 23h40. Em seguida, familiares e amigos perderam contato com ela.

Justiça manteve prisão do suspeito

A polícia prendeu Gustavo Dutra Lima no domingo (28), um dia após o crime.

Ao converter a prisão em flagrante em preventiva, o juiz Alanir José Hauck Rabeca destacou que a vítima sofreu “centenas de golpes de faca”, conforme consta na decisão judicial.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias do feminicídio.