A fraude em concursos levou à prisão de dois candidatos ao concurso da Polícia Civil do Espírito Santo no último domingo (1º), na Serra. A investigação aponta a atuação de uma quadrilha com alcance nacional, suspeita de manipular resultados de seleções públicas. Entre os presos estão um perito criminal da Polícia Civil de Pernambuco e o marido dele.
As prisões ocorreram logo após a prova objetiva para o cargo de Oficial Investigador da Polícia Civil do ES. Com isso, a polícia impediu que os suspeitos deixassem o local antes da abordagem.
Fraude em concursos motivou monitoramento preventivo
Antes da aplicação da prova, a Polícia Civil do Espírito Santo montou um esquema de monitoramento preventivo nos arredores dos locais de exame. Além disso, a corporação apurou denúncias anônimas que indicavam tentativas de fraude em concursos durante o certame.
A partir dessas informações, os investigadores identificaram dois candidatos vindos de Pernambuco como alvos prioritários. Assim, as equipes passaram a acompanhar os deslocamentos dos suspeitos.
Fraude em concursos e apreensão de arma e documentos
O primeiro candidato, de 28 anos, foi abordado ao sair da prova e se dirigir a um veículo estacionado. Dentro do carro, os policiais encontraram uma pistola calibre .40 na porta do passageiro. Além disso, localizaram documentos em nome de terceiros, o que reforçou a suspeita de fraude em concursos.
Em seguida, o candidato afirmou que a arma pertencia ao marido, perito criminal da Polícia Civil de Pernambuco. Logo depois, os agentes localizaram o perito em outro local de prova, também na Serra. Ele confirmou a propriedade da arma e apresentou documentação.
Durante o depoimento, o perito explicou que o marido o deixou primeiro em uma escola e seguiu para outro ponto de prova. Por isso, a arma permaneceu no veículo.
Prisão em flagrante virou preventiva
Mesmo após a justificativa apresentada, os policiais autuaram os dois em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Posteriormente, durante a audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva. Assim, o casal permaneceu detido.
Operação nacional apura fraude em concursos públicos
Dois dias depois, na terça-feira (3), a Polícia Civil do Ceará deflagrou uma operação nacional para desarticular um grupo criminoso especializado em fraude em concursos públicos. Como resultado, os investigadores cumpriram dois mandados de prisão por organização criminosa contra o perito e o marido, já recolhidos em unidade prisional no Espírito Santo.
Segundo a Polícia Civil do Ceará, a operação cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e medidas cautelares no Ceará, em Pernambuco e no Espírito Santo.
Grupo usava tecnologia para fraude em concursos
As investigações indicam que a quadrilha utilizava meios tecnológicos ilícitos para repassar respostas durante as provas. Dessa forma, o grupo buscava aprovações fraudulentas em concursos públicos.
Durante as diligências, os policiais apreenderam celulares, dispositivos eletrônicos, arma de fogo, documentos e outros materiais. Esses itens vão aprofundar as apurações sobre fraude em concursos.
Concurso segue sem posicionamento oficial
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que analisa o caso, mas ainda não divulgou quais providências adotará em relação ao concurso. Além disso, o governo de Pernambuco também foi procurado para comentar a prisão do servidor público, porém não respondeu até o fechamento da matéria.
Defesa questiona prisões
O advogado de defesa, Thiago Thadeu Bastos Tavares, afirmou que ainda não teve acesso ao processo que tramita na Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Fortaleza (CE), por estar sob sigilo externo.
Segundo ele, essa condição compromete o exercício da ampla defesa. Além disso, o advogado sustenta que a prisão por porte ilegal de arma é indevida, já que o perito possui porte funcional autorizado por lei.
Investigação sobre fraude em concursos começou no Ceará
A apuração teve início a partir de suspeitas de fraude em concursos no certame da Polícia Civil do Ceará, iniciado em 2025. Como consequência, a Universidade Estadual do Ceará, banca organizadora, eliminou 15 candidatos classificados para a segunda fase.
Entre os eliminados estava o marido do perito preso no Espírito Santo. A comissão organizadora informou que tomou a decisão após comunicação oficial da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco) do Ceará sobre irregularidades nas provas.
