Espírito Santo inicia 2026 com crescimento acima da média nacional

Estado combina diversificação econômica, novos portos e atração de investimentos, mas esbarra em gargalos logísticos e desafios urbanos

Porto de Vitória – Imagem ilustrativa gerada por IA

Economia do Espírito Santo avança e entra em nova fase

O Espírito Santo iniciou 2026 em posição de destaque no cenário econômico nacional. Com crescimento do PIB de 3% até setembro de 2025, acima da média brasileira, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves, o resultado indica que o desempenho não se explica apenas por um ciclo favorável de commodities, mas por escolhas estratégicas adotadas ao longo dos últimos anos.

Da monocultura à diversificação produtiva

Se até a metade do século passado a economia estadual dependia fortemente do café, hoje o cenário é outro. Atualmente, o Espírito Santo apresenta uma base econômica diversificada, com peso relevante da indústria, da logística, do agronegócio, da energia e do comércio exterior. Nesse contexto, a perda de protagonismo do Fundap, que chegou a ser tratada como ameaça ao setor logístico, não provocou retração. Ao contrário, abriu espaço para uma profunda reconfiguração.

Portos redefinem a logística capixaba

Nesse novo arranjo, grandes projetos portuários ganharam protagonismo. Entraram no mapa o Porto da Imetame, em Aracruz; o Porto Central, em Presidente Kennedy; a concessão da antiga Codesa, hoje operada pela Vports, na Capital; além da chegada da Blue Terminals, em Praia Mole. Dessa forma, mais do que obras de engenharia, esses empreendimentos criam novos centros de gravidade econômica e posicionam o Espírito Santo como hub estratégico de serviços no Atlântico Sul.

Atração internacional de investimentos

Paralelamente, o ambiente de negócios capixaba passou a atrair atenção internacional. Um exemplo recente veio da missão oficial à China que, além de protocolos de intenção, anunciou a instalação de uma montadora chinesa no Estado. Assim, o movimento reforça a imagem do Espírito Santo como destino confiável para investimentos industriais de grande porte.

Força do interior e do campo

O avanço econômico não se restringe ao litoral. No interior, o agronegócio segue como pilar fundamental. Em 2025, as exportações do setor alcançaram R$ 17,2 bilhões, com destaque para o café conilon, cada vez mais consolidado no mercado global. Além disso, o setor de gás natural e a indústria extrativa projetam investimentos que somam até R$ 106 bilhões nos próximos anos, ampliando o fôlego da economia estadual.

Equilíbrio fiscal como instrumento de crescimento

Ao mesmo tempo, a renovação da nota máxima de gestão fiscal, o Capag A, fortalece a capacidade de investimento com recursos próprios. Com isso, o equilíbrio das contas públicas deixa de ser um fim em si mesmo e passa a funcionar como instrumento para políticas públicas que conciliam dinamismo econômico e responsabilidade social.

Infraestrutura ainda limita o ritmo

Apesar dos avanços, os gargalos persistem. A infraestrutura terrestre segue como principal entrave. As rodovias federais BR-101 e BR-262 continuam marcadas por atrasos e promessas, enquanto a ferrovia EF-118 é tratada como peça estratégica para garantir o escoamento da produção. Sem esses investimentos, um mosaico estimado em R$ 137,6 bilhões pode ficar pelo caminho.

Reforma tributária impõe novos riscos

Outro ponto de atenção é a reforma tributária. A extinção gradual de incentivos fiscais e a mudança do modelo de tributação da origem para o destino tendem a impactar a arrecadação interna. Além disso, cresce o risco de migração de empresas para grandes centros consumidores, o que exige planejamento e articulação política.

Pressões urbanas e desafios sociais

Por fim, o crescimento também gera efeitos colaterais. Na Grande Vitória, a alta acelerada dos preços dos imóveis tem chamado atenção nacionalmente. Esse movimento reacende debates sobre gentrificação, mobilidade urbana e desenvolvimento sustentável, temas que passam a integrar a agenda do crescimento.

O desafio da sustentabilidade econômica

Em síntese, o Espírito Santo de 2026 exibe resultados sólidos e um novo papel no cenário nacional. O desafio agora é compreender como — e a que custo — esse ritmo poderá ser sustentado ao longo do tempo, garantindo que crescimento econômico, infraestrutura adequada e justiça social avancem de forma equilibrada.