
No sistema monárquico, que por quase quatro séculos moldou a estrutura política do Brasil, houve episódios de pena de morte em praça pública quando alguém se atrevia a desafiar o sistema de governo predominante. O mineiro Tiradentes é uma das provas históricas.
No entanto, a República – de inspiração iluminista e maçônica, nascida de um golpe militar orquestrado pelo autoritário Marechal Deodoro da Fonseca – tendo em seu bojo ditaduras e instabilidades políticas diversas, terminou por inaugurar uma sorrateira forma de punir quem ameaça os barões do poder: queima de arquivo, sem deixar nenhum rastro dos suspeitos.
O caso do Banco Master é apenas mais um dos típicos incidentes republicanos que envolvem os figurões do poder político, que no receio de terem seus discursos polidos desmascarados pela democrática imprensa, tentam calar as vozes dissonantes através da pressão interna, levando à queima de arquivo travestida de “estranhos suicídios”.
Enquanto na arcaica Monarquia os crimes de traição à Coroa eram punidos com enforcamento em praça pública para servir de exemplo aos demais cidadãos, na República as veladas sentenças capitais acontecem de maneira elaborada o suficiente para causar intimidação em quem pretende oferecer denúncias, ao mesmo tempo em que pune fatalmente aqueles que estão dispostos a desmascarar os verdadeiros traidores da pátria.
Que Deus tenha misericórdia da alma de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como o espião de Daniel Vorcaro e que agia sob o pseudônimo de “Sicário”. Por pior que seja o crime, desesperar da salvação é um caminho sem volta! Confessar os erros e pagar por eles pode ser difícil e gerar enormes represálias, mas morrer de consciência limpa é melhor do que levar as culpas não confessadas para o caixão!
