Criança de 1 ano morre após série de agressões no ES

MPES denuncia homem acusado de torturar e matar a própria filha de 1 ano e 11 meses em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.

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- FOTO: IA - FOLHA DO ES

Ministério Público denuncia homem por feminicídio, tortura e agressões brutais contra a própria filha em Aracruz. Defesa nega acusações.

O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) denunciou um homem acusado de torturar e matar a própria filha, uma bebê de apenas 1 ano e 11 meses, em Aracruz, no Norte do Estado. O caso aconteceu em abril deste ano e provocou forte repercussão pela violência descrita nas investigações.

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Segundo a denúncia, Eloara de Jesus Izidorio sofria agressões constantes dentro de casa. Além disso, o MPES afirma que o pai, identificado como Admilson de Jesus Agapito, atacava a criança com extrema crueldade. A defesa, porém, nega as acusações e sustenta que o homem é inocente.

Bebê chorava de fome antes das agressões

De acordo com a investigação, a violência aumentou no dia 3 de abril de 2026. Na ocasião, o homem consumia bebida alcoólica durante a madrugada quando a filha se aproximou chorando e apontando para a comida.

Irritado, ele teria começado as agressões. Conforme a denúncia, o suspeito deixou marcas nos olhos e nas costas da criança. Além disso, teria atingido a bebê com uma paulada.

Na manhã seguinte, por volta das 6 horas, Eloara voltou a pedir comida para a mãe. Nesse momento, o pai teria se irritado novamente, agarrado a filha pelo cabelo e arremessado a criança contra a cabeceira de madeira da cama.

Mãe percebeu que bebê não acordava

Horas depois, a mãe percebeu que a filha continuava desacordada. Em seguida, ela pediu ajuda para familiares. As investigações apontam que Eloara permaneceu inconsciente por cerca de 10 horas.

A bebê chegou à casa da tia com hematomas, inchaços pelo corpo e sangramento pela boca e pelo nariz. No mesmo dia, a mãe enviou fotos e mensagens para a avó da criança, que mora na Bahia, relatando as agressões.

Já na manhã do dia 5 de abril, Eloara vomitou sangue e seguiu para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jacupemba. No entanto, os médicos constataram que ela já estava sem sinais vitais. A equipe médica ainda tentou reanimar a criança durante cerca de 30 minutos, mas não conseguiu evitar a morte.

Laudos apontam histórico de violência

Segundo o Ministério Público, exames do Serviço Médico Legal (SML) comprovaram o histórico de violência extrema sofrido pela menina.

Os laudos identificaram lesão hepática extensa, responsável pelo sangramento interno que causou a morte. Além disso, os peritos encontraram diversas marcas de agressões em diferentes estágios de evolução, quadro compatível com a chamada Síndrome da Criança Maltratada.

Ainda conforme a denúncia, Eloara apresentava marcas de chicotadas nas costas e vivia sob intenso sofrimento físico e psicológico.

MP denuncia pai por feminicídio e tortura

O MPES denunciou Admilson por feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar. Além disso, a promotoria incluiu qualificadoras relacionadas à impossibilidade de defesa da vítima, tortura e uso de meios cruéis.

O promotor Danilo Raposo Lirio classificou a motivação do crime como fútil e desproporcional. Segundo ele, o acusado se incomodava com o choro da filha, que chorava de fome e dor.

Além disso, o Ministério Público pediu a conversão da prisão temporária em preventiva. O órgão também solicitou investigação sobre possíveis maus-tratos contra outra filha recém-nascida do acusado.

Defesa contesta versão apresentada

A defesa do acusado afirmou que realizou uma investigação própria e ouviu testemunhas que não prestaram depoimento à polícia.

Segundo a advogada Flávia Falquetto Raposa, os fatos aconteceram de maneira diferente da descrita pela mãe da criança. Ela afirma que o homem encontrou a filha já desacordada e sustenta que outras pessoas relataram agressões praticadas pela mãe.

A defesa informou ainda que apresentou novos elementos à Justiça e pediu a revogação da prisão do acusado.

Mãe não foi denunciada

O Ministério Público decidiu não denunciar a mãe de Eloara. Segundo a promotoria, ela vivia em situação de extrema vulnerabilidade social, sofria violência doméstica e dependia financeiramente do companheiro.

As investigações apontaram ainda que a mulher procurou ajuda da Polícia Militar meses antes da morte da filha. Em dezembro do ano passado, ela denunciou agressões sofridas por ela e pelas crianças dentro de casa.