
O cearense Samuel de Souza Frota, de 23 anos, morreu cinco meses após chegar à Inglaterra, onde aceitou uma proposta de trabalho. O corpo do jovem apareceu no último domingo (12), em uma linha férrea na cidade de Warrington, próxima a Liverpool. O caso segue sob investigação.
As autoridades britânicas comunicaram a família na quinta-feira (16). Desde então, parentes buscam respostas sobre as circunstâncias da morte.
Segundo familiares, Samuel viajou ao país após convite de um amigo para atuar como telefonista. No entanto, ao chegar à Inglaterra, ele passou a exercer outra função. De acordo com os relatos, o jovem trabalhou como segurança, o que descaracterizou a proposta inicial.
Além disso, a família afirma que a empresa responsável pela contratação deixou de pagar pelos serviços. Após reclamar, Samuel passou a receber ameaças. Por isso, ele enfrentou dificuldades financeiras, pressão psicológica e medo constante. O jovem relatou essa situação à família ainda em vida.
Ainda conforme os relatos, Samuel tentou contato com as responsáveis pela agência, mas não obteve retorno. Enquanto isso, o amigo que o convidou para trabalhar no exterior preferiu não se manifestar.
Em uma rede social profissional, o jovem se apresentava como vendedor de uma marca de roupas. Além disso, ele desativou a conta no Instagram dias antes da morte.
O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Edimburgo, que acompanha o caso e mantém contato com as autoridades locais e com a família. O órgão presta assistência consular.
Por fim, a Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) declarou que oferece suporte aos familiares. A pasta atua por meio da política estadual voltada a migrantes, refugiados e enfrentamento ao tráfico de pessoas. Além disso, disponibiliza acompanhamento psicossocial.

A advogada Layanna Pontes, que representa a família de Samuel Frota, afirmou que mantém contato direto com a polícia britânica para obter esclarecimentos sobre o caso. Segundo ela, a defesa teve acesso, na última quinta-feira (16), a um documento oficial emitido pelas autoridades do Reino Unido.
Documento e investigação
De acordo com a advogada, o documento corresponde a um atestado de óbito provisório. O registro informa a data da morte e detalha o reconhecimento do corpo por meio de impressões digitais. Além disso, a defesa pretende solicitar, de forma oficial, a autópsia e o envio de documentos complementares para esclarecer as circunstâncias do caso.
Até o momento, as autoridades não confirmaram se a morte teve origem criminosa. “A família busca respostas oficiais. É um momento de muita dor. O foco principal agora é obter posicionamento das instituições brasileiras”, afirmou Layanna Pontes.
Família cobra respostas e aguarda traslado
Enquanto isso, nas redes sociais, a irmã de Samuel lamentou a morte e cobrou justiça. A família também aguarda definições sobre o translado do corpo para o Brasil.
Até agora, não há confirmação se o Estado irá custear o procedimento, apesar de o Ceará possuir legislação específica sobre o tema. Em nota, a Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) informou que a questão será analisada conforme a legislação vigente.
O órgão citou a Lei nº 19.651, de 13 de fevereiro de 2026, que institui o Programa Estadual de Apoio Humanitário ao Traslado e ao Sepultamento Digno de cearenses vitimados no exterior.
Morte em linha férrea
No Reino Unido, o caso repercutiu na imprensa local. De acordo com o jornal Warrington Guardian, equipes de emergência atenderam a ocorrência na noite do último domingo (12), em um trecho da linha férrea entre as regiões de Winwick e Vulcan.
Um porta-voz da polícia informou ao veículo que a corporação recebeu o chamado por volta das 18h40, após relatos de uma pessoa nos trilhos. A investigação segue em andamento.










