
O coronel Fabrício, vereador do PL em Cachoeiro de Itapemirim, protagonizou ontem, dia 10, um episódio que expôs despreparo político em plena sessão da Câmara.
Na ocasião, o secretário de Cultura, Wanderson Amorim, apresentava os resultados do Cachoeiraço, realizado no último fim de semana. No entanto, durante a explanação, o parlamentar interrompeu a fala e elevou o tom.
Contudo, a realidade contrariou o discurso.
As forças policiais atuaram de forma preventiva e ostensiva. Da mesma forma, a logística funcionou como planejado. Como resultado, famílias ocuparam a Beira Rio com tranquilidade. Mais do que isso, não houve qualquer incidente grave registrado.
Ou seja, o cenário foi exatamente o oposto da narrativa alarmista construída anteriormente.
Ainda assim, durante a prestação de contas, quando Wanderson agradecia inclusive a parceria do Legislativo, o clima mudou. Em determinado momento, o secretário mencionou que alguns tentaram tumultuar a organização do evento.
Foi o suficiente.
Imediatamente, o coronel vestiu a carapuça. Em seguida, reagiu de maneira exaltada. Em vez de manter postura institucional, partiu para o ataque. Consequentemente, deixou colegas atônitos.
Por outro lado, diversos vereadores parabenizaram o titular da pasta pelo sucesso inquestionável do Cachoeiraço. Portanto, o contraste de posturas ficou evidente no plenário.
Faltou política. Sobrou caserna.
Afinal, a Câmara não é quartel. O plenário exige equilíbrio. Além disso, impõe leitura de cenário e maturidade pública. O mandato, acima de tudo, exige responsabilidade.
Na mesma sessão, o secretário também anunciou o show de Roberto Carlos, marcado para 19 de abril, no Parque de Exposição, em comemoração aos 84 anos do Rei em sua terra natal. Naturalmente, o anúncio movimentou a cidade e reacendeu o orgulho local.
Diante disso, surge a pergunta: o coronel também discursará contra o aniversário do maior artista brasileiro vivo? Ou, porventura, dirá que Cachoeiro não suporta “tantas emoções”?
Enquanto isso, a cidade amadurece. A cultura avança. A organização entrega resultados.
Assim, quem precisa se preparar melhor talvez não seja Cachoeiro.
Talvez seja quem ainda confunde tribuna com comando.
