Consignado privado cai 22,5% em fevereiro, diz BC

Dados do Banco Central indicam retração no volume de operações e sinalizam desaceleração no crédito.

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- Juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu de 424,5% ao ano em janeiro para 435,9% em fevereiro. Foto: Freepik

As concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado caíram 22,5% em fevereiro, na comparação com janeiro, informou o Banco Central nesta segunda-feira (30). O volume passou de R$ 9,216 bilhões para R$ 7,146 bilhões no período.

Queda nas concessões e aumento no saldo

Apesar da retração nas novas operações, o saldo total da modalidade cresceu 5,9% e chegou a R$ 92,506 bilhões em fevereiro. Esse movimento, por sua vez, reflete a adaptação ao novo modelo de consignado privado, chamado Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo no fim de março de 2025.

Juros seguem em alta

Além disso, a taxa média de juros do consignado privado aumentou. Em fevereiro, o índice subiu de 57,4% para 59,4%. Segundo o governo, a expectativa é que o novo modelo estimule a migração para linhas com taxas mais baixas. No entanto, neste primeiro momento, os juros continuam em alta. Isso ocorre, principalmente, por causa da adaptação das instituições financeiras e do maior interesse pelo segmento.

Cartão de crédito também registra aumento

Ao mesmo tempo, os juros do cartão de crédito também avançaram. A taxa média do rotativo subiu de 424,5% ao ano em janeiro para 435,9% em fevereiro. Já no parcelado, o índice passou de 194,9% para 200,2%.

Além disso, ao considerar o custo total do cartão de crédito que inclui rotativo e parcelado a taxa aumentou de 89,7% para 96,4%.

Regra dos juros e explicação do BC

Por outro lado, o Congresso estabeleceu, em lei, que os juros do rotativo e do parcelado não podem ultrapassar 100% do valor principal da dívida. Essa regra entrou em vigor em janeiro de 2024.

Ainda assim, segundo o Banco Central, os números divulgados não indicam descumprimento da legislação. Isso acontece porque as taxas anuais são estimativas estatísticas, calculadas com base na projeção dos juros mensais ao longo de um ano. Na prática, porém, muitos consumidores utilizam essas linhas por períodos mais curtos.

Por fim, o BC informou que manterá a divulgação da série histórica. Dessa forma, os dados seguem como referência para acompanhar a evolução dos juros e o comportamento do crédito no país.

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